Uma repetida promessa de realojamento da comunidade cigana do Bacelo, em Campanhã, feita pela vereadora da Habitação, Matilde Alves, foi tudo quanto a Oposição ganhou do debate travado, anteontem, na Assembleia Municipal do Porto. "Ainda acredito numa solução decente e humana", considerou, resignado, Pedro Bacelar de Vasconcelos, do PS.
Depois do "espectáculo bárbaro com polícias do Corpo de Intervenção" no decorrer da demolição dos barracos (há cerca de 15 dias), situados junto ao palácio do Freixo,esperava-se mais do debate político exigido pelo PS, CDU e BE. Porém, em tempo de quadra pascal, houve um mea-culpa "Todos nós falhamos ao longo dos tempos. Não queremos atirar pedras seja a quem for. Todos nós somos responsáveis", lembrou o socialista Justino dos Santos, deputado municipal e ex-vereador da Habitação da Câmara portuense.
Rui Rio chegou atrasado à reunião e não escutou a solene declaração, como também não observou o diaporama, apresentado por José Castro, do BE, onde procurou relatar os "episódios revoltantes" da operação policial e subsequente encaminhamento das 47 pessoas para as "degradantes pensões" da Segurança Social. E deixou uma pergunta sem resposta por parte dos vereadores da Maioria do PSD/PP "Porquê tanta pressa, agora? Por que não deixaram estar a comunidade cigana mais dois meses em Campanhã?", insistiu o deputado municipal do BE.
Face às denúncias de "insensibilidade camarária", apontadas pelo comunista Artur Ribeiro, o deputado André Noronha, do CDS/PP, respondeu-lhe e insistiu na tecla de "apropriação ilegítima" dos terrenos. "A Câmara tomou uma medida acertada", disse.
Com Rui Rio acabado de chegar ao debate, Paulo Oliveira, do PSD, abeirou-se do microfone e falou grosso "Vamos ser sérios. Estes cidadãos do Bacelo devem ir à frente ou atrás das outras famílias que precisamde casa?".