Ainda que o Governo reafirme que as "tomadas de decisão futuras sejam de natureza estritamente técnica e não de cariz político", o PSD mantém a acusação de que se trata de "uma manobra eleitoral" que visa adiar as novas linhas do metro para depois das eleições de 2009. À semelhança do Ministério das Obras Públicas, que refuta a ideia de que a execução dos novos investimentos depende exclusivamente da vontade política do Governo, como referiram os autarcas, também o PS/Porto sai em defesa do novo calendário e diz não ser possível avançar antes, dadas as regras dos concursos, que contam com financiamento comunitário.
Agostinho Branquinho, líder do PSD/Porto,que tem estado em sintonia com Rui Rio nas questões do metro, classifica o teor da resposta de Mário Lino aos autarcas como "um embuste". E diz que o facto de se apontar agora o primeiro semestre de 2009, e já não o segundo, visa "apenas enganar as pessoas e dar a ideia de que recuaram". Além disso, considera que "o Governo não mexeu em nada" na sua proposta inicial". E, se mexeu, "foi para pior", comentou. As orientações do ministro Mário Lino, acusa o líder do PSD/Porto, têm sido "prejudiciais" ao Norte e, em particular, à Área Metropolitana. Daqui destaca o metro do Porto, a obra "mais visível" neste momento. Daí que peça a demissão do ministro. Além disso, considera "inadmissível"que se tenha pronunciado sobre a Ota como "questão pessoal" "Parece que é ministro dos assuntos dele e não das Obras Públicas".
Quanto ao modelo de gestão, defende o actual, considerando-o um "modelo de sucesso". O objectivo do Governo, acusa, é "controlar o processo a partir de Lisboa". E diz não fazer sentido os autarcas saírem da administração porque, tratando-se de um metro à superfície, "há sempre conflitualidade entre gestão municipal e a da Metro do Porto". Em resposta às críticas, o líder do PS/Porto, Renato Sampaio, diz não ser uma questão de realizar as obras "antes ou depois". De facto, não é possível fazê-las mais cedo, argumenta, recordando que sempre apontou para o primeiro semestre de 2009. O importante, diz, é "haver transparência no processo e rigor financeiro". E nota que "foi o Governo PS quem desbloqueou o processo".