Greves, manifestações, pedidos de audiências, providências cautelares, processos nos tribunais administrativos. De Norte a Sul, trabalhadores e sindicatos protestam contra o novo regime de mobilidade dos funcionários públicos, e ontem, em Portalegre, Jaime Silva, ainda ouviu o descontentamento de agricultores acerca do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural (PNDR).
Em Coimbra, os 193 funcionários da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral (DRABL), que receberam as notificações na última quinta-feira, decidiram ontem, em plenário, entregar ao governador civil um documento que é, em simultâneo, um "apelo ao Governo" e "a exigência de transparência nos critérios que classificam os trabalhadores" e que, consequentemente, decidem quem fica e quem está condenado à inactividade. Além desta iniciativa, José Abraão, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, continua a aguardar resposta aos pedidos de audiência a secretários de Estado e ministro da Agricultura, e está preparado para recorrer "ao Provedor de Justiça, a providências cautelares e a processos individuais no Tribunal Administrativo".
Ao início da tarde, foi a vez dos agricultores mostrarem a Jaime Silva o descontentamento relativamente ao PNDR. Cerca de 100 agricultores abandonaram um seminário, em Portalegre, quando o ministro da Agricultura se preparava para intervir, deixando-o a falar "sozinho" e dirigindo-lhe insultos como forma de protesto contra as políticas do Governo.
Jaime Silva reagiu ao protesto, atribuindo-o "a meia dúzia de agricultores, que viveram sempre privilegiados por todos os ministros até finais dos anos 80", o que irritou os agricultores, que subiram o tom dos protestos, gerando-se um confronto verbal com o ministro.
Aprovado em Junho do ano passado, no âmbito do Processo de Reforma e Modernização da Administração Pública, o regime de mobilidade especial vai mandar para casa três mil funcionários, só no Ministério da Agricultura. Aos 193 na DRABL somam-se 88 da Beira Interior, 333 da Direcção Regional do Norte, 80 no Algarve e uma centena no Ribatejo e Oeste, entre os números conhecidos.