A imprecisão dos argumentos usados pela Câmara Municipal do Porto para justificar a entrega da gestão financeira e cultural do Teatro Rivoli a Filipe La Féria - e, agora, o seu sucessivo protelamento -, "tem que ser esclarecida", reclama a Comissão de Trabalhadores da Culturporto que, até ser despedida em bloco, geria o equipamento.
"A má-fé da contestação não surpreende; mas surpreende que seja feita de mentiras", afirmou, ao JN, Raquel Machado, porta-voz dos cerca de 30 funcionários dispensados no início deste ano, reagindo à resposta que autarquia enviou ao Tribunal de Trabalho de Matosinhos, onde está o processo que alega a "ilegalidade" do despedimento.
Rui Rio, que decidiu em Julho do ano passado privatizar o Teatro, lançando em apenas três meses uma consulta a 31 entidades nacionais para que apresentassem propostas - dissolvendo a Culturporto, alegando mudança de gestão e travando uma controversa luta com o grupo de actores que se barricou no edifício - havia anunciado o início da concessão, por um período de quatro anos, para Janeiro. O Município elegeu o empresário de Lisboa, mas anunciou, logo a seguir, que, afinal, Filipe La Féria só assumiria o espaço em Maio.
Anteontem, após contacto do JN, a autarquia informou que a concessão está suspensa, assegurando que vai esperar pelo desfecho judicial das providências cautelares interpostas pelo PS e pela Associação Plateia. A afirmação, no entanto, contraria o que a própria Câmara anuncia na sua revista deste mês, e que aponta o primeiro dia de Maio como data de início da concessão.
Aliás, a publicação denota ainda outra contradição o musical "Jesus Cristo Superstar", em cena de Maio a Dezembro, é ali anunciado como sendo a peça que inaugura a concessão, mas ao Tribunal o autarca disse tratar-se, apenas, "de um regime transitório de acolhimento", uma vez que o Rivoli "passará a ser um equipamento cultural público e livre".