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Pavilhão Rosa Mota entra em obras no próximo ano

Publicado

Carla Sofia Luz
 

Mais de 50 anos após ter concebido o Pavilhão dos Desportos, em substituição do Palácio de Cristal, no Porto, o arquitecto José Carlos Loureiro regressa ao projecto. O convite da Câmara do Porto surgiu há cerca de um mês e já está a fazer o levantamento do estado do edifício a pensar na modernização, enquanto o Município procede à consolidação financeira de um projecto de parceria público-privada, que possibilitará a reconversão do equipamento. A intervenção deverá começar no primeiro trimestre de 2008.

Com base num estudo, encomendado em Julho do ano passado à Parque Expo, a Autarquia procura uma nova vocação para um imóvel que tem sido objecto de uma ocupação avulsa, desde eventos desportivos à feira do livro e aos concertos nos aniversários da Rádio Festival. À semelhança do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, o Pavilhão Rosa Mota poderá assumir-se como um espaço multiusos mais moderno, "dotado de uma nova área destinada à realização de congressos e eventos empresariais", pode ler-se na revista do Município.

"Foi projectado há mais de 50 anos. Na época, as exigências de um espaço daquele tipo eram distintas. Entretanto, o leque alargou-se com grandes concertos, teatro e manifestações políticas. Mesmo tecnologicamente, houve uma grande evolução. É natural que a Câmara tenha o objectivo de actualizar a capacidade do pavilhão", sublinha o arquitecto José Carlos Loureiro, satisfeito por este regresso a um trabalho concluído na início da década de 50.

"É interessante ter feito um projecto há 50 anos e, agora, ir melhorá-lo e renová-lo. Já há algumas ideias, mas ainda é cedo para falar sobre isso", concretiza, especificando a necessidade de substituir o actual revestimento exterior muito deteriorado. Aliás, o edifício necessidade de profundas obras de remodelação - avaliadas pela Câmara em mais de cinco milhões de euros -, o que levou Rui Rio a optar pelo estudo de uma parceria público-privada para a reconversão e a exploração futura do equipamento. Ao JN, fonte da Autarquia garante que está a ser ultimado o modelo financeiro da parceria.

"A imagem que o edifício tem hoje irá conservar-se, até porque está em vias de classificação pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR)", salienta José Carlos Loureiro, que assinou outras seis obras em vias de classificação. No Porto, são o Hotel D. Henrique, o edifício Parnaso e os imóveis da Santa Casa da Misericórdia do Porto, no Lima 5. "Antigamente, havia a ideia de que só tinha de preservar-se as coisas antigas. Começa a haver a consciência de que é necessário proteger a arquitectura contemporânea. Vejo muito positivamente a classificação de obras minhas e dos meus colegas", conclui.

 
 










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