A acção de Extrema-Esquerda que, anteontem, degenerou em confrontos em Lisboa entre manifestantes e a PSP era já esperada pelas autoridades, segundo fontes policiais adiantaram ao JN. Com efeito, a recolha de informação praticada pelas informações da PSP deu conta de que uma acção estava a ser preparada para o dia 25 de Abril.
A PSP não sabia, no entanto, qual o objectivo nem que grupos estavam por detrás da convocatória, que estava a ser divulgada por internet, mas havia a suspeita de uma tentativa de chegar a confrontos com a Extrema-Direita, como veio a acontecer na tentativa de se acercar da sede do PNR, parada pelo Corpo de Intervenção.
Aliás, pelo menos seis dos indivíduos que foram detidos na sequência dos confrontos já estavam referenciados pela prática de furtos e agressões, e anteontem ao descerem a zona do Chiado lançaram várias bolas de tinta contra os estabelecimentos comerciais. "Eles vinham muito agressivos e exaltados", contou ao JN uma funcionária da Gardénia, pedindo, no entanto, para manter o anonimato no receio de represálias. "Eu estava à porta da loja a vê-los passar quando um deles lançou uma bola que tinha tinta lá dentro". O pequeno projéctil bateu numa parede e rebentiou espalhando a tinta "Foram atingidas bem umas trinta peças que estavam expostas, além de mim e de dois clientes. Temos prejuízos de mais de três mil euros", apontou a funcionária.
No entanto, formalmente todos os 11 detidos ontem presentes no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa do Ministério Público são considerados primários, ou seja nunca antes praticaram qualquer crime, tal como destacou a advogado de seis dos arguidos, em declarações à comunicação social. Com efeito, de acordo com Florinda Baptista, todos os detidos foram libertados com termo de identidade e residência e está provar - de acordo com a causídica - a posse de três cocktails Molotov e outras armas artesanais como 26 barras de ferro, materiais apreendidos pela PSP, que registou ainda cinco polícias feridos assim como dois manifestantes. A Polícia diz ainda que foram disparados very-lights.
Do lado da PSP há acusações de "vandalismo" e de "agressões" por parte de participantes numa manifestação não autorizada. Do lado dos manifestantes, queixas de "agressão brutal" por parte dos agentes.