Simples curiosidade e fascínio pelo "estrondo" terão sido os motivos que levaram seis adolescentes da Região Centro a fabricar bombas em casa, a partir de informação recolhida em sites da Internet, e a fazê-las explodir, numa das situações no recinto da escola que frequentavam, provocando ferimentos a uma colega. Dois casos a juntar aos mais de 50 analisados, desde 2004, pelo Laboratório de Polícia Científica em todo o país, apesar da maioria se registar no Centro e Sul.
Os jovens agora identificados (alguns constituídos arguidos) pela Directoria de Coimbra da Polícia Judiciária (PJ) têm entre 15 e 17 anos e teriam como objectivo confirmar se os engenhos por eles fabricados, a partir da junção de ácido clorídrico e alumínio, produziam o mesmo efeito "bonito" que os exemplos que observaram na Internet.
Apesar de terem muitos aspectos em comum, nomeadamente o tipo de bomba e o facto dos conhecimentos terem sido adquiridos na Internet, são duas situações diferentes. Uma registou-se na Figueira da Foz em Junho do ano passado. Quatro colegas de escola, dois de 15 anos, um de 16 e outro de 17, reuniram-se em casa de um deles e juntando ácido clorídrico e alumínio numa garrafa plástica de refrigerante, conseguiram provocar a explosão. O engenho foi lançado pela janela, tendo "criado perigo para a integridade física" de uma rapariga que passava na rua, mas não a atingiu.
A outra explosão ocorre, em Outubro, na Escola Secundária Frei Heitor Pinto, na Covilhã, e envolveu dois jovens de 16 e 17 anos. A bomba foi colocada no interior de um contentor do lixo, tendo a explosão atingido uma colega que estava sentada num banco. O contentor acabou por protegê-la, não chegando a ser atingida pelo ácido, mas o estrondo causou-lhe problemas nos ouvidos, tendo de receber assistência hospitalar. Segundo a PJ, aos mesmos jovens é atribuída a autoria de duas explosões anteriores naquele estabelecimento de ensino, mas que não foram valorizadas por não terem provocado danos.
Nos dois casos, garante a PJ, os adolescentes agiram por curiosidade, ou por considerarem a experiência "gira". Nenhum deles demonstrou ter noção das graves consequências que o acto poderia ter implicado. Por isso, como resulta da investigação da PJ, os que já são responsáveis criminalmente (mais de 16 anos) estão indiciados pelo crime de explosão, tendo sido constituídos arguidos e obrigados a prestar Termo de Identidade e Residência. Atendendo a que a sua conduta terá sido praticada por negligência, poderão incorrer numa pena de prisão até cinco anos.