Nunca são os concertos mais aguardados da temporada. O cartaz da Queima das Fitas - no Porto e em Coimbra, já a partir de amanhã; ou noutras academias, posteriormente -, é uma espécie de papel químico de edições anteriores - e um indisfarçável decalque umas das outras.
Os Xutos e Pontapés são incontornáveis, todos os anos, em todas as instituições de Ensino Superior - desta vez não será diferente; Quim Barreiros regressa sempre à manifestação em que foi descoberto - este ano, estará, pelo menos, no Porto, em Coimbra e em Braga; os Da Weasel e os Blasted Mechanism integram, nesta edição, também, o leque dos indefectíveis; os The Gift e os Blasted Mechanism parecem ser igualmente irrecusáveis. Uma coisa é certa a Queima das Fitas é totalmente nacional. Só Coimbra arrisca importar nomes de outras nações (ver caixa).
A verdade é que a maratona de concertos nunca é, para a comunidade estudantil, o corolário da semana de um Maio maior. É, apenas, como observa Pedro Barrias, presidente da Federação Académica do Porto, "a ponte de ligação à cidade, o momento em que se cria intimidade e se reconhece gratidão a quem, não fazendo parte da Universidade, sempre apoiou os estudantes".
O mais importante, acrescenta, "é menos mediático", referindo-se às acções de solidariedade. Este ano, os estudantes de quase todas as academias prestam reverência às respectivas cidades com projectos de cooperação. Coimbra entregou livros, roupa e brinquedos à Comunidade São Francisco de Assis; o Porto irá, depois de amanhã, recolher fundos para Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares.
Depois, a tradição mantém-se. O programa menos susceptível de ser partilhado com a cidade, e que também não configura em actos de apoio, é consagrado à família, como o cortejo ou a missa da bênção das pastas. "É o momento em que as famílias se reconhecem na Academia e partilham a felicidade dos estudantes".