A data de estreia do musical de Filipe La Féria, "Jesus Cristo superstar", no Teatro Rivoli, no Porto, está dependente da aprovação de um empréstimo que o empresário foi obrigado a contrair para colmatar "a surpresa amarga" que teve ao confrontar-se com o "diminuto material técnico" do Teatro Municipal.
"O sistema de som e luz é primário. A mesa de som está ao nível da de qualquer colectividade. Não há robótica. Não há sequer uma máquina de fumo. Qual é a discoteca que a não tem?", questiona Filipe La Féria, surpreendido com "a inconcebível falta de investimento" no equipamento.
"O Rivoli está muito bem apetrechado em termos de computadores e escritórios; mas a parte do palco é extraordinariamente pobre. Isso fez-me deparar com um problema que terei que resolver, porque este espectáculo exige uma enorme sofisticação em termos de som e luz". O musical de Andrew Lloyd Webber, poderia estrear, no máximo, "daqui a dez dias". No entanto, por causa disso, só deverá ser apresentado "nos primeiros dias de Junho".
Júlio Moreira, director de produção e elemento da direcção da extinta Culturporto - Associação que geria o Rivoli - reconhece que "com excepção de uma mesa de luz, adquirida no ano passado, a Câmara não investiu no material técnico do Teatro nos últimos cinco anos". A diferença de reinvestimento, concretiza, "desceu de cerca de 250 mil euros, no Executivo socialista, para menos de 50 mil euros por ano".
Apesar "de a qualidade técnica ter decaído", o produtor ressalva que "o equipamento era bom. Apenas, não estava preparado para acolher teatro musical não há máquina de fumo, plataformas de subir e descer, robótica ou microfones de lapela".