Os 350 cavalos do Ferrari de António Saavedra seguiam nos tempos mais lentos do passo equestre, desviados para a VCI, no caminho de regresso a casa, na Avenida dos Combatentes. "Excepcionalmente", saiu com o bólide pela manhã, mas ao fim de tarde teve como obstáculo a Alameda do Dragão, ontem pista da superespecial da primeira etapa do Rali do F. C. Porto, que levou milhares de pessoas (houve quem arriscasse a calcular cerca de 20 mil) às imediações do estádio.
"Vim por aqui para ter duas opções, de entrar já na VCI ou mais acima, subindo a Alameda", disse Nuno Ferreira, ontem ao volante de um utilitário que pedia meças ao Ferrari. "É um bocado aborrecido, particularmente a uma sexta-feira", acrescentou, indulgente portista. "Se fosse no Estádio da Luz, não perdoava", acrescentou.
Joaquim Ribeiro juntou "o útil" de dar gás à paixão pelos automóveis "ao agradável" de passar pelo Estádio do Dragão, catedral quinzenal da fé portista. Veio de Gondomar, num grupo de amigos, que tentava acomodar-se num morro sobranceiro à Alameda das Antas, entre largas centenas de pessoas, as mais audazes em risco de uma queda de vários metros. Hélder Garrido ainda perguntou se alguém tinha trazido a foice, que calhava bem para desbastar um pedaço de selva primaveril e abrir uma nova bancada sobre a pista.
"Sempre dá para entreter", desabafou Hélder Garrido, saudoso das terras revolvidas do Tap Rali de Portugal. Apesar de uma transição em paralelo, a rememorar a passagem alcatroada entre a terra do famoso troço de Fafe/Lameirirnha, era o povo que mais lembrava as bancadas improvisadas nos montes do Norte de Portugal, que chegava a juntar mais de 100 mil pessoas em Fafe.
"Só o barulho já entusiasma", conta Lina Alves, guardiã de um espaço seguro com vista para a pista, no viaduto sobre a Alameda das Antas. Marta é boa aluna, mas parecia estar de castigo. Diz que até gosta das corridas, mas não tanto quanto os progenitores, arrastados pelo "gosto pelos carros" ao Estádio do Dragão.