Onome já entrou no vocabulário dos portuenses há bastante tempo. O baptismo popular de Túnel de Ceuta foi determinado pela proximidade da entrada à rua com a mesma designação. Agora, a Comissão de Toponímia do Porto sugere outro título para a polémica infra-estrutura viária, recordando duas figuras ligadas à história e à renovação da cidade João e Francisco de Almada.
Assim, o Túnel de Ceuta passará a ter o nome de Túnel dos Almadas, se a Câmara portuense estiver de acordo. A deliberação será tomada na próxima reunião pública do Executivo, agendada para terça-feira de manhã. Resta saber se a população adoptará esta nova designação, que obteve a concordância das juntas de freguesia da Vitória e de Miragaia (por onde cruza o túnel).
Francisco de Almada e Mendonça era filho de João de Almada e seguiu as pisadas do pai. "No último quartel do século XVIII, o Porto foi palco de um processo de requalificação urbana e arquitectónica, de que, até então, não havia memória", pode ler-se no anexo da proposta, a que o JN teve acesso e que será submetida à apreciação da vereação. Pai e filho foram os protagonistas desta transformação na cidade.
Nascido em 1703, João de Almada foi presidente da Junta das Obras Públicas e dedicou-se a "renovar a cidade antiga" e a "ordenar as zonas que se estendiam para fora das muralhas". O imposto sobre o comércio do vinho serviu para financiar os trabalhos de abertura de novas ruas e de requalificação, como a reconstrução da Praça da Ribeira. Francisco prosseguiu com a acção do pai e está ligado, entre outros melhoramentos, à construção do edifício do Teatro de S. João. Grande parte dos edifícios, executados durante a gestão dos Almadas, é da escola neoclássica.
O projecto do Túnel de Ceuta data de 1993 e a concretização esteve envolvida em polémica, desde reviravoltas no desenho ao conflito entre a Câmara, o IPPAR e o Ministério da Cultura. Abriu quase 10 anos depois.