A arquitectura continua a mexer com a cidade. Como, de resto, não pode deixar de ser, queiram ou não os vários poderes, já que, para o bem e para o mal, não há cidades sem arquitectura. E, já agora, não há cidades sem arquitectos. Alias, conta a história que, "um dia, os deuses, para castigarem os homens, ameaçaram privá-los dos seus arquitectos"! Contudo, sempre convirá não confundir uma arte como é a arquitectura com os seus executantes e, sobretudo, com os interesses de tipo corporativo que, embora legítimos, não devem confundir-se com o interesse público, social e cultural da arquitectura.
Com efeito os últimos temas "arquitectónicos" a ocupar "espaço público", fornecem suficientes motivos para reflexão em torno do modo como vamos pensando e fazendo a cidade que é a nossa. Digamos que há histórias para todos os gostos, nem todas com final feliz, é certo, mas em que, aqui e ali, timidamente, já é legítimo vislumbrar que melhores dias poderão estar para vir o que também pode querer dizer que a capacidade de aprendizagem ainda se não terá perdido completamente.
Ideias menos felizes
A verdade é que depois dos "flops" que foram algumas ideias menos felizes como, por exemplo, o caso do chamado "concurso de ideias" para o Parque do Covelo, ao fazer apelo a uma participação indiscriminada dos cidadãos, independentemente das suas "credenciais", para um destino a dar àquele velho problema da cidade e que resultou (que se saiba) em… nada.
Uma não menos feliz foi chamada geral para a recuperação/revitalização do Mercado do Bolhão cujo destino ainda não se percebe qual será (embora se tema o pior!); uma, igualmente pouco participada, convocação de vontades para a resolução do "bicudo" problema que nunca deixou de ser o misterioso "Shopping dos Clérigos" (ainda que o projecto anunciado dê esperanças!); um (ainda) incipiente movimento de "regresso à Baixa" que oscila entre o eternamente anunciado mega-investimento de grande quarteirão apontando baterias ao "luxo" e a mini-intervenção à pequena escala do pequeno lote apontando o dedo às bolsas simplesmente "remediadas".