Ouviram-se notas de dó e nostalgia, ontem, no decorrer do leilão da Tito & Cunha, Lda, Porto, uma das mais prestigadas casas do comércio tradicional de enxovais para noivas, casamentos e baptizados. "Foi muito triste assistir ao fim deste império", contou, ao JN, Odete Santos, antiga trabalhadora da empresa. Tristezas à parte, a licitação dos seis lotes cifrou-se em 110 mil euros e o valor global da hasta pública não foi além dos 150 mil euros.
A loja da Praça Carlos Alberto, reabriu, ontem, como fechou, às 19 horas, do dia 12 de Abril. Nas vitrinas, expositores e manequins, lá estavam os vestidos de noiva, fatos de comunhão e de baptizado, camisas, adereços, um mundo de sonhos feitos em tecidos finos. "Tínhamos encomendas de todo o lado. Por estas paredes passaram gerações de portuenses e ao longo dos anos, ajudámos a vestir famílias inteiras, milhares de noivos e bebés. Foi uma grande casa comercial. Vim para aqui com 15 anos e trabalhei durante 37 anos. Este mundo fazia parte da minha família", continuou Odete Santos.
Agora, neste estabelecimento feito de memórias, já não há tempo a perder e outras contas são feitas. São 15 horas e o leiloeiro da empresa só está atento aos números e aos lances (tímidos) dos interessados na arrematação das diferentes lojas comercias (na Praça de Carlos Alberto e Rua da Galeria de Paris) mais o recheio, composto por dezenas de máquinas, malhas, tecidos, conjuntos de vestidos para cerimónias, chapéus de noiva, lingerie, roupas de senhora e de criança.
Ao fim de meia hora, todo o império sonhado e construído ao longo de quase meio século (a empresa nasceu em Abril de 1960) pelo empresário Tito Cunha tinha mudado de mãos e os seis lotes da praça arrematados por 150 mil euros.
No final do leilão, a directora de marketing da empresa Leilosoc, encarregada de levar à praça os bens contantes no processo de insolvência da empresa, mostrou-se optimista quanto ao volume dos negócios "As vendas ultrapassaram as expectativas. Não podemos esquecer que existem mais lojas comerciais na zona. O leilão correu bem", considerou.