Em 28 de Junho de 1968, a revista Flama dedicava o seu "2.º número especial das "Bodas de Prata"" à Cidade Invicta debaixo do lema Porto: Cidade aberta ao futuro. Nele se propunha "analisar os seus projectos de remodelação urbanística." É um documento excepcional, demonstrando como a Imprensa constitui fonte de informação preciosa sobre cada época. Nele há indicadores relativos às realizações em curso na década de 60 e às expectativas sobre o progresso que provocariam no burgo. Como auscultação do pensamento sobre a cidade, o documento é um tesouro. Como testemunho das motivações que conduziram à sua quase destruição no limiar da decadência urbana, é um instrumento de diagnóstico.
Sob o título "Porto- 68 cidade cheia de projectos", um artigo apresentava os planos para "desenvolver" a cidade "o mais ordenamente possível".
Para isso, "sob a orientação de um mestre francês, o arquitecto Robert Auzelle, o Plano Director veio ordenar as linhas mestras do crescimento da capital do Norte, rejuvenescendo a cidade, preparando-a para a vida diferente das próximas décadas." E acrescentava "Uma cidade não pode crescer ao acaso", por isso o "esquema director teve em conta que, numa área de 40.20 quilómetros quadrados, vivem já 330 mil pessoas, meio milhão daqui a uma
Em matéria de realizações apontavam-se "A construção das passagens subterrâneas para peões, ligando S. Bento aos Congregados e à Praça. O trânsito deixou de ter problemas." Depois, "O arranjo da cidade velha não foi descurado. O primeiro edifício que vai dar novo aspecto às praças foi construído nos Leões e Carlos Alberto. O projecto do conjunto já aprovado tem o interesse de permitir aos proprietários dos terrenos a participação no arranjo", e "o feio, desactualizado, edifício onde funciona o mercado da fruta (Ferreira Borges) vai dar lugar a um parque de estacionamento". "Fundamental para quem desejar atravessar a cidade noutras direcções com rapidez, está em avançada fase a Via de Cintura Interna (que) vai constituir a via principal de penetração na cidade". E: "O túnel que assegurará a continuidade da Rua de Gonçalo Cristóvão permitirá um rápido escoamento de trânsito da Boavista para Campanhã e vice-versa".
Ainda quanto a parques de estacionamento apontavam-se o das Carvalheiras, o da Cordoaria junto do Palácio da Justiça, nos terrenos do Horto das Virtudes. Anunciava-se que "os problemas de 10% da população" tinham sido resolvidos libertando a cidade "de uma chaga", através de novos bairros camarários.