A continuidade de Filipe La Féria no Rivoli dependerá do êxito do espectáculo "Jesus Cristo Superstar", que estreia amanhã à noite no Porto. "Eu não posso arriscar a ter fiascos. As empresas privadas vivem sempre desta angústia. Tenho 122 salários para pagar no final de cada mês", sublinhou, ontem, o encenador em conferência de Imprensa. Deixou claro que só assumirá a gestão do teatro municipal, se o público aderir ao musical, que funcionará como um "teste". Já a Câmara do Porto não abandonou a intenção de ceder a gestão do equipamento cultural ao produtor de Lisboa, tendo optado, por decisão do presidente Rui Rio, pelo desfecho judicial das providências cautelares.
Hoje, La Féria não veste a pele de concessionário. Até ao final do ano, é o criador convidado pela Comissão de Gestão Municipal do teatro para realizar um espectáculo, que dinamize a Baixa portuense. "Esse convite não vincula qualquer envolvimento económico da edilidade", afiançou o encenador, assinalando que a montagem do espectáculo custa 2,5 milhões de euros. "Um espectáculo desta magnitude só é possível realizar graças aos apoios de mecenas". Curiosamente, as câmaras de Gaia e de Matosinhos integram esse grupo.
Sem fazer contas ao lucro, o produtor necessita de três meses com o Grande Auditório esgotado para que "Jesus Cristo Superstar" seja rentável - o espectáculo realiza-se de terça a domingo, inclusive durante o mês de Agosto, e os preços dos bilhetes vão desde os 10 aos 35 euros. O desejo de La Féria é ficar vários meses em cena, à semelhança do que sucedeu com os espectáculos "Amália" (seis anos em cena) e "Música no Coração" (há nove meses com casa cheia).
"Pagar as despesas é o resultado considerado aceitável para aceitar a concessão", insiste, embora entenda que as providências cautelares (interpostas pelo PS e pela Plateia) não lhe permitem "fazer qualquer especulação" sobre o futuro. À Câmara, a empresa Todos ao Palco, constituída para levar a cabo esta produção, entregará 5% das receitas líquidas da bilheteira (corresponde ao valor obtido com a venda dos ingressos, deduzido do IVA, das comissões de intermediação, dos direitos de autor e do pagamento pelo serviço dos bombeiros). No entanto, para este ano, a Autarquia tem orçamentados 443 mil euros para suportar as despesas correntes do Rivoli.
Estreia só para convidados