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Centro histórico não tem um plano de emergência

Publicado

Carla Soares
 

Falta um plano de emergência contra fogos para a zona histórica do Porto e, em geral, a acessibilidade dos veículos de socorro no concelho enfrenta os mais variados obstáculos. O diagnóstico, avançado por representantes dos bombeiros num seminário sobre protecção civil e urbanismo, é preocupante, mas os profissionais do sector acreditam que poderá, em breve, ser ultrapassado.

Para Vitor Martins Primo, comandante dos Bombeiros Sapadores do Porto, são inúmeros os obstáculos a uma eficaz intervenção de protecção e urgência. Tomando como base de análise o Porto, mas generalizando as preocupações ao resto do país, lamentou, por exemplo, a falta de planos de emergência para centros históricos. Por sua vez, o presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil, Miguel Correia da Silva, destacou que vão propor a revisão do respectivo regulamento, que "não é eficaz". Ruas estreitas, de difícil acesso, e com muitos residentes idosos, é um perfil que aumenta a preocupação perante o risco de incêndio ou sismo. Neste momento, as atenções estão viradas para o novo regulamento geral. A regulamentação sobre zonas históricas ainda não foi revista, devido à sua forte componente urbanística.

Vitor Primo garante que a questão dos planos para zonas históricas será a próxima prioridade. No Porto, a zona de Património Mundial "já faz parte das preocupações". E o plano municipal de emergência prevê o risco de cheias, considerado mais grave. "A seguir", as atenções irão virar-se para o centro histórico, assegura, considerando que "é preciso saber como actuar e não improvisar, à portuguesa". E é preciso formar brigadas locais. António Curado, da Associação Nacional de Bombeiros, recordou que "já houve uma tentativa de formar brigadas para a zona histórica do Porto, mas isso acabou".

Da cidade, em geral, foram exibidas fotografias que revelam um cenário preocupante. Prédios cujo acesso dos veículos de socorro é impossível, pela forma como foram concebidos ou pelo arranjo exterior. Além disso, há pinos espalhados que os bombeiros, simplesmente, não conseguem baixar. Aludindo aos mecos da Ribeira, contou que "os bombeiros costumam ter a chave, mas existem 50 chaves diferentes". E muitas vezes "estão encravados".

 
 










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