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Rui Rio assobiado na estreia de "Jesus Cristo Superstar"

Publicado

Helena Teixeira da Silva
 

No Teatro Politeama, em Lisboa, as estreias das criações de Filipe La Féria são sempre assim um happening teatral e social, com passadeira vermelha e concentração de figuras mais ou menos mediáticas; transmissão exclusiva para a SIC e registo fotográfico para a revista "Caras" e vedações a separar os convidados VIP do público geral, a quem só é permitido aceder à peça mais tarde.

No Porto, o mesmo exercício aplicado pelo produtor ao Rivoli, com alteração integral da arquitectura decorativa da fachada do Teatro Municipal e da própria Praça D. João I, onde agora jaz uma cruz colossal e uma espécie de capela transparente, provoca animosidade. Tanto mais que a escolha do encenador para ocupar o equipamento - decidida unilateralmente pelo Executivo de Rui Rio num dos mais controversos processos de gestão cultural dos últimos anos - não colhe unanimidade. Ironicamente, ontem, na sessão inaugural e de gala do musical "Jesus Cristo Superstar", a cidade para quem La Féria diz estar a trabalhar, a convite da autarquia, ficou, literalmente, de fora.

E foi no exterior que perto de mil pessoas, com a letra "R" de Rivoli ao peito, ou na mão erguida, voltaram a manifestar-se contra a concessão de um equipamento público a um produtor privado. A manifestação pretendia ser silenciosa. Mas o princípio foi rompido quando Rui Rio irrompeu na passadeira vermelha, sendo vaiado com uma rajada de assobios. No fim dos 60 minutos estipulados para o silêncio - entre as 20.30 horas e as 21.30 horas - , os manifestantes gritaram durante vários minutos "Vergonha!"

José Luís Ferreira, do Teatro Nacional S. João, e um dos três porta-vozes da manifestação espontânea, explicou que a concentração nasceu "naturalmente da necessidade de recusar a morte do Rivoli". Esclareceu que seria silenciosa porque "o silêncio é, também, uma forma de comunicação atenta". No caso, acrescentou, "um silêncio oposto ao silêncio de comprometimento da Câmara" que, "num acto político desastroso", decidiu "amputar a cidade de um Teatro que deveria ser de acesso livre, pleno e plural à criação contemporânea". E não permitir que ele pudesse "transitar para a órbita de um outro tipo de prática, igualmente legítima, mas para a qual existem espaços na rede comercial de teatros".

A repulsa pelo silêncio da autarquia circulou num documento que foi entregue aos transeuntes. "Queremos dizer a Rui Rio (...) que, no presente caso, calar é mentir. Que as irregularidades no processo de mudança de gestão do Rivoli subsistem e que as vemos tanto mais ampliadas quanto a Câmara tenta escondê-las sob o véu de sucessivas e absurdas operações de charme".

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