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Vamos assaltar o QREN em nome da coesão nacional

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Manuel, Serrão, Empresário
 

Na ressaca do S. João e das poderosas festas que sempre constituem a cerimónia de entronização, o baile de gala e a Regata dos Barcos Rabelos da Confraria do Vinho do Porto; dias depois de mais um Congresso da única Associação Nacional com sede no Porto, a ANJE, onde participei num painel subordinado ao tema "O Norte motor de desenvolvimento" e em plena semana que começou com um "Prós e Contras" dedicado especialmente por Fátima Campos Ferreira a esta região, até pareceria mal que a crónica de hoje versasse sobre outros assuntos que não estes.

Retomando a ideia que escandalizou (ainda que moderadamente...)o ilustre professor Alberto Castro, que ocupa este espaço ás terças, a Região Norte de Portugal tem direito a exigir dos responsáveis do país uma estratégia de solidariedade capaz de enfrentar a crise que patenteia e está escancarada em todas as últimas estatísticas.

Não vale a pena recuar a tempos remotos para arranjar exemplos de momentos da vida nacional em que as gentes do Porto e do Norte, fizeram das tripas, coração para acudir ao País. Basta recordar o que se passou a seguir ao 25 de Abril, onde uma nação depauperada por uma revolução que descambou para a total irresponsabilidade, pôde reerguer-se graças ao contributo inestimável do Norte industrial.

Como dizia o dr. Jorge Fiel na sua badalada coluna de opinião no OJE (diário económico gratuito) a diferença entre o temperamento das pessoas do Norte e dos sulistas mede-se pela forma como reagem ás adversidades e crises económicas. Enquanto na península de Setúbal, quando faltou emprego, o pessoal sentou-se a um canto e esperou que ele volta-se, só se levantando para empunhar bandeiras negras e declarar greves de fome, as gentes do Norte, quando se veem sem emprego, começam logo a procurar trabalho. Seja ao pé da porta ou demandando terra alheia, o que um nortenho não aguenta é estar a viver sem trabalhar, porque o trabalho mais do que libertá-lo, é a sua profissão.

Restabelecida a ordem económica no Portugal de Abril, nem tempo houve para respirar fundo. Tornada inevitável pela marcha dos acontecimentos e pela fogosidade europeísta do dr. Mário Soares, a Europa que se anunciava "connosco", deu-nos um forte abraço de urso que desconjuntou o paradigma industrial da riqueza do Norte. Conscientes desta maldade inevitável, os governantes de então acertaram com os funcionários de Jacques Delors um conjunto de compensações para a indústria mais representativa e emblemática da região, a têxtil, que ainda hoje tem direito a exigir esses fundos. Apesar de os sucessivos governos gostarem de encher a boca com os milhões que se gabam de ter investido na mesma zona de influência, a "bola" continua desse lado.

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