O escritor israelita Amos Oz (Jerusalém, 1939) foi galardoado em Espanha com o Príncipe das Astúrias em reconhecimento da "defesa da paz entre os povos" que tem feito na sua obra e pela "denúncia de todas as expressões de fanatismo".
Na resolução do prémio, que foi lida pelo presidente do júri, Víctor García de la Concha, também se destacou que o autor, "contribuiu em fazer do idioma hebraico um brilhante instrumento literário" e tem sido chave "para a revelação certa das realidades mais diligentes e universais de nossa época".
Amos Oz venceu na votação final o escritor albanês Ismael Kadarés, e nas rondas finais a novelista canadiana Margaret Atwood e o poeta coreano Ko Un.
Pouco depois de conhecer a decisão do júri, o narrador, ensaísta e jornalista hebreu, afirmou, em conversa telefónica, estar muito "honrado" pelo galardão e destacou que o reconhecimento seja de um país, Espanha, cuja cultura admira. "Sou amante da literatura espanhola e hispano - americana, por isso é para mim uma honra particular receber o prémio", disse Oz.
A vida e obra do escritor Amos Oz está marcada pela procura de uma inspiração poética, herdada da sua família, de emigrantes russos e polacos e pelo afã de entendimento entre os judeus e os palestinianos. Autor de obras como "Meu marido Mikhael" e "A caixa preta", Oz afirma que se tivesse que dizer tudo numa palavra só escreveria "famílias". Se fosse em duas palavras, diria "famílias infelizes". Se for em mais de duas, "deveriam ler a minha obra", aconselhou o narrador israelita.