alcinados, amolgados, com os vidros estilhaçados, os pneus furados e muito lixo no interior. É neste estado que se encontram as cerca de duas dezenas de viaturas apreendidas deixadas na via pública, na envolvente à esquadra da PSP da Foz, no Porto. O "depósito" de sucata mancha o cenário da Rua do Monsenhor Manuel Marinho, para desespero de moradores, comerciantes e transeuntes, que já não sabem o que fazer na busca de soluções alternativas para o estacionamento dos seus carros.
Francisca Quintas Magalhães, que reside numa habitação mesmo ao lado da esquadra, não se conforma com aquele parque improvisado. "Ter à porta de casa um monte de sucata e lixo não só tira os lugares de estacionamento, como desvaloriza todo e qualquer empreendimento", protestou a moradora, sublinhando que se trata de uma rua com bastante afluência de veículos, devido à existência de dois colégios e diversos estabelecimentos.
De acordo com a mesma residente, as pessoas "estão fartas de pagar multas de estacionamento devido à falta de opções". "E é uma questão de saúde pública", acrescenta o marido, António Magalhães, frisando que algumas das viaturas estão convertidas em lixeiras, que atraem "todo o tipo de bichos", sobretudo cães e ratos. Os abaixo-assinados já promovidos para contestar a situação de nada têm valido.
As queixas são partilhadas por outros moradores e responsáveis de estabelecimentos. "Uma lixeira destas numa zona nobre da cidade é uma vergonha. Há carros que estão a apodrecer há anos", lamentou Henrique Mendes, proprietário de uma mercearia. Manuel Lourenço, sócio de uma loja de estofos, salientou as dificuldades nas cargas. "Deviam fazer uma limpeza", continuou o comerciante, apontando ainda os transtornos junto ao Colégio Inglês, "nas horas de entrada e saída" das aulas, em que os pais dos alunos não têm onde parar os veículos.
Contactada pelo JN, fonte policial explicou que a PSP nada pode fazer porque as viaturas - furtadas, abandonadas ou acidentadas - estão apreendidas "à ordem do tribunal". "Isto não acontece por vontade da Polícia, bem pelo contrário, também nos causa transtornos", garantiu.