ACulturporto foi formalmente extinta pela Assembleia Municipal do Porto, mas a polémica continua em cena. Anteontem, por 27 votos a favor (CDS e PSD) e 26 contra (PS, CDU e BE) a proposta do Executivo de Rui Rio foi ratificada e partir de agora, serão desencadeados "todos os mecanismos legais tendentes à extinção e liquidação" do organismo gestor do Rivoli. A Oposição não bateu palmas e continua a exigir, com carácter de urgência, a marcação de um debate sobre a política cultural da cidade.
"Racionalidade de meios" e garantia de "economias de escala", são dois termos empregues na proposta do Executivo de Rui Rio para justificar a extinção da Culturporto e a criação da PortoLazer. No texto entregue aos deputados municipais fica-se sem saber como será o funcionamento do Rivoli até o equipamento da cidade ser entregue a La Féria (previsto para Maio) e qual o futuro dos trabalhadores. Por esclarecer ficou também outra dúvida a Assembleia Municipal será ou não chamada a pronunciar-se sobre a concessão do teatro portuense ao encenador La Féria?.
Anteontem, a Oposição ainda contestou o modo como a proposta foi apresentada e sem o prévio parecer do Conselho Geral da Culturporto (onde tem assento o Instituto Politécnico do Porto) mas o vice-presidente da Câmara, Álvaro Castelo Branco, e parceiro da coligação do Executivo (PSD/CDS) deu a entender não ser necessário mais formalismos, muito menos, perder mais tempo com a solução aprovada pela Câmara.
A oposição prometeu não baixar os braços "O texto propõe à Assembleia desencadear todos os mecanismos legais tendentes à extinção da Culturporto e nós entendemos que a decisão devia ter sido, previamente, acompanhada de um parecer do respectivo Conselho Geral. Só depois a proposta devia ser votada", reafirmou, ao JN, Artur Ribeiro, da CDU.
Nesta espécie de "requiem" pela liquidação da entidade gestora do Rivoli mais vozes se ouviram "A extinção da Culturporto é a parte visível do iceberg do mau relacionamento que o Executivo municipal pratica com a cultura, as instituições e agentes culturais da cidade. Não se trata de um juízo de intenções; trata-se de uma apreciação criteriosa dos factos", sublinhou Olímpio Bento, do PS.