A reestruturação da rede da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (e a intermodalidade) trouxe mais utentes ao interface da Boavista, contiguo à estação do metro da Casa da Música. Mas as condições do espaço, que, inicialmente, funcionou como parque de estacionamento gratuito para os clientes do metro, não agradam. Também se acentuam os sinais de degradação e de vandalismo. As paredes exteriores da estação de metro, concebida pelo arquitecto Eduardo Souto Moura, estão repletas de grafitos.
Há mais de um ano que a estrutura passou a cumprir a função para a qual foi projectada a de interface de passageiros. No entanto, e apesar das críticas repetidas, não sofreu melhorias. A situação agrava-se com a chegada de novos utilizadores, que se confrontam com um espaço despojado de equipamentos e de mobiliário urbano, sem conforto e bastante soturno ao anoitecer.
No vazio, estão semeados apenas os postes das paragens dos autocarros da STCP, do Espírito Santo e da Resende, os eco-pontos e um telefone público, próximo da postura dos táxis. "À noite, as pessoas ficam um pouco desamparadas. Mesmo o acesso para o metro é um bocado escuro. Quando estou sozinha, mete medo", atenta Maria Lúcia, que usa, diariamente, o interface da Casa da Música. O taxista Américo Glória concorda que é um "espaço sem nada".
Foi construído um estabelecimento comercial e sanitários, a poucos passos da entrada da estação de metro. Porém, a loja permanece devoluta e os sanitários estão de porta fechada. Não faltam grafitos. Um dos vidros foi partido e substituído por uma tábua. Outro está rachado. No interior da estação do metro, há um bar e uma loja andante, que encerram ao final da tarde.
"Apesar de ter aqui muitas carreiras (12 linhas só da STCP rumo a Gaia, Matosinhos, Gondomar, Maia e outras zonas da cidade do Porto), não há uma casa-de-banho para os utentes. À noite, é um sítio muito escuro e algumas pessoas têm medo de estar na paragem", indica o taxista. A sensação de vazio e de insegurança são ainda mais notórias devido à fraca iluminação pública e aos painéis maltratados, que vedam o acesso aos terrenos vizinhos.