Cinco dos sete elementos da Direcção da Associação de Comerciantes do Porto (ACP) demitiram-se em rota de colisão com a gestão da presidente, Laura Rodrigues. Na base da decisão, que deverá obrigar a novas eleições, estão divergências com aquilo que os demissionários consideram ser a falta de estratégia da Associação e a gestão "familiar" daquela estrutura o filho, a filha, o genro e o irmão do genro de Laura Rodrigues são prestadores de serviços da Associação.
"Não comento esse tipo de afirmações. Na reunião, não foi essa a justificação que foi dada para as demissões, por isso não vou responder a coisas que não conheço", sublinhou Laura Rodrigues, contactada pelo JN, acrescentando que continuará a trabalhar, à espera de uma decisão da Mesa da Assembleia Geral.
"Não me demito", sentencia, assegurando que a sua vontade é levar por diante o mandato de três anos e que começou há apenas sete meses. Laura Rodrigues considera que as demissões foram uma atitude "irresponsável", que demonstram "falta de experiência e de maturidade".
Sobre as ligações de familiares à instituição que preside, Laura Rodrigues lembra que os contratos estabelecidos são legítimos e que, por exemplo, o protocolo de colaboração com o gabinete de arquitectura do filho até vem do mandato anterior. Argumenta, então, que os demissionários já estavam a par da situação quando aceitaram integrar a Direcção.
O protocolo estabelecido entre a Associação de Comerciantes e o gabinete Projecto Baixa foi assinado em 2003. O objectivo passou pela criação de um departamento de arquitectura e estudos urbanos para a instituição, que se comprometeu a arranjar espaço e a equipar aquela estrutura.