Pouco passava das 18,30 horas quando os ânimos começaram a ferver na manifestação que decorria, há já uma hora, na Baixa do Porto contra a nova rede da STCP. As cerca de quatro centenas de pessoas que responderam ao apelo do Movimento de Utentes, para protestarem no Largo dos Lóios, estavam de pedra e cal também em plena Rua dos Clérigos, impedindo as duas vias, onde ficaram bloqueados sete autocarros.
Foi perante as tentativas de desimpedir a Rua dos Clérigos, passada a hora combinada com o movimento, que os ânimos se exaltaram e os motoristas dos autocarros repetiam investidas para afastar os mais resistentes. E o ambiente aqueceu ainda mais perante a chegada do Corpo de Intervenção da PSP que parecia não ter fim. Somados ao pelotão de 24 elementos que ali já estavam, as forças ontem destacadas rondavam a centena.
"Isto mostra a prepotência que existe em nome da legalidade", queixava-se Justino Gonçalves, encostado a um autocarro que tentava passar. Mas os veículos lá começaram a circular na Rua dos Clérigos, com alguns utentes a reagir com indignação ao cordão policial. Quando tudo parecia mais calmo, Carlos Pinto, do Movimento de Utentes dos Transportes da Área Metropolitana, deixou de cooperar e "saltou" para a frente de um autocarro que saía do largo, instigando os restantes. Dali, avistava-se o primeiro carro da PSP transportando um detido.
"Mentirosos, mentirosos", cantavam os manifestantes,contra a STCP. Fizeram-se representar utentes de Gondomar, Gaia, Maia, Porto e Matosinhos, entre outros. Da Pasteleira, a presença não se fazia notar, talvez porque foram introduzidas correcções nas linhas.Um dos cartazes, de Miragaia, retomava a frase popular há anos usada pelos utentes para brincar com a sigla STCP "Somos Transportados Como Porcos"; ou então "Estamos fartos de andar como sardinhas". À mistura, dirigentes do BE e da CDU.
O protesto prometia continuar, e repetir-se nos próximos dias, com o movimento a mostrar-se irredutível e indiferente às alterações que vão sendo introduzidas. "Do bolo, só nos dão o creme, o recheio ainda está para vir", justificou Noberto Alves, insistindo que os transbordos têm que acabar. Apesar de se dizer aberto ao diálogo, garantiu que os protestos continuam até a STCP suspender a rede, algo que a empresa não equaciona sequer. Como prometido, garantiu que vão enviar uma carta à Comissão Europeia. Hoje, há novos protestos em Rio Tinto, Lavra e Maia. Carlos Pinto também criticou as "pequenas cedências", mas congratulou-se com o facto da empresa trocar os bilhetes antigos.