Oindigitado arcebispo de Varsóvia, D. Estanislau Wielgus, pediu resignação ao seu cargo canónico no passado domingo, dia em que iniciaria a sua missão na catedral de S. João Baptista. Na véspera, já tinha admitido, depois de o ter negado numa primeira reacção, as suas responsabilidades por ter colaborado, durante a sua juventude, com os serviços secretos do antigo regime comunista polaco. Bento XVI, que antes tinha defendido o nomeado arcebispo de Varsóvia, que lhe escondera o seu passado, aceitou a demissão e nomeou interinamente o cardeal Jozef Glemp, primaz da Polónia, administrador apostólico da arquidiocese de que era titular.
O director da Rádio Vaticano e da Sala de Imprensa da Santa Sé, o jesuíta Frederico Lombardi, frisou que "o comportamento de D. Wielgus, nos tempos passados do regime comunista, na Polónia, comprometeu gravemente a sua credibilidade". Alertou que "o caso de D. Wielgus não é o primeiro e provavelmente não será o último caso de ataque a personalidades da Igreja, a partir da documentação dos serviços secretos do antigo regime". O porta-voz do Vaticano conclui "a Igreja não tem medo da verdade e, para serem fiéis ao seu Senhor, os seus membros devem saber reconhecer as suas próprias culpas". O que não aconteceu com D. Wielgus que negou a sua cumplicidade como regime comunista até ao aparecimento de provas incontroversas. E esse foi o seu erro maior. Apesar de a Igreja ter contribuído para a resistência e o fim do regime comunista na Polónia, em particular João Paulo II, a verdade é que se admite que 10% do clero polaco terá cooperado com a ditadura apoiada pelos soviéticos.
Entretanto, o cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, aceitou a demissão do pároco da catedral de Wawel, Bielanski, por ter colaborado com a polícia comunista. A atitude do cardeal é mais firme, depois de o Papa ter aceite a demissão do arcebispo de Varsóvia. O arcebispo de Cracóvia, ex-secretário particular de João Paulo II, afirma agora "O Papa indicou-nos o caminho que devemos seguir".
Não foi certamente apenas gente da Igreja Católica que colaborou com o regime comunista polaco, mas é agora a parte mais vulnerável, escondendo-se muita outra gente da política, da magistratura, das universidades e da comunicação social da condenação da opinião pública. Mesmo assim, o momento actual, como diz o porta-voz do Vaticano, é "de grande sofrimento para uma Igreja à qual todos devemos muitíssimo e à qual amamos, que nos deu pastores da grandeza do cardeal Stefan Wyszynski e de João Paulo II". Por isso, Bento XVI lembra que "a fé, o amor e a sabedoria" devem unir todos os crentes da Polónia. Grandeza foi a da maioria do clero que foi resistente e combateu a ditadura comunista.