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INEM atribui morte de vítima ao difícil acesso a cuidados

Publicado

Ivete Caneiro
 

Aproposta de reformulação da rede de urgências em Portugal prevê uma solução que, a prazo, quer evitar casos como o que ocorreu esta semana em Odemira. Mas admite a fragilidade da região. Uma vítima de acidente de viação demorou seis horas a chegar ao serviço de neurocirurgia mais próximo - em Lisboa - e acabou por falecer quatro dias depois. Alvo de críticas, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) justifica-se assegurando que fez tudo o que estava ao seu alcance. Em causa está a deficiente rede de assistência na região. Não obstante, o ministro da Saúde veio ontem prometer averiguações.

"O INEM tem consciência que as condições de acessibilidade a cuidados de emergência médica diferenciados no Alentejo em geral e no distrito de Beja em particular são inferiores à média do país", admitiu ontem ao JN fonte do Instituto, confiante no facto de se ter actuado "com diligência, no melhor interesse do doente" (ver caixa). E atribui a vulnerabilidade da região à "enorme dispersão geográfica" e ao "baixo rácio populacional".

A vítima, um homem de 54 anos, padeceu do facto de ter tido um acidente a cem quilómetros do hospital mais próximo e, consequentemente, da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) ali estacionada. Questionado sobre o accionamento, pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), de uma ambulância dos bombeiros e não da VMER, o INEM defende-se dizendo ser a solução mais rápida para acudir. "Em Odemira não existe viaturas com apoio médico", disse à TSF o director clínico do Instituto, Nélson Pereira. O centro de saúde local - hoje com um Serviço de Atendimento Permanente (SAP) - é justamente um dos locais eleitos pela Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências para instalar um dos serviços da futura rede de urgências. Uma proposta actualmente em discussão e que divide os cuidados em urgência básica, médico-cirúrgica (mais avançado) e polivalente (apenas nos maiores hospitais).

E os especialistas são os primeiros a reconhecer a deficiência da assistência no distrito de Beja embora proponham para Odemira um serviço de urgência básica, acrescentam que "no presente estádio de desenvolvimento, corresponde efectivamente a serviço de urgência médico-cirúrgica". Porque falham para já os critérios que definem a segurança da distância de cuidados diferenciados. Não existem serviços de neurocirurgia abaixo de Lisboa, havendo apenas especialistas em alguns turnos dos hospitais de Faro e Portimão.

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