A presidente da Associação de Comerciantes do Porto (ACP), Laura Rodrigues, tem as quotas em atraso há um ano. De acordo com documentos a que o JN teve acesso, desde Janeiro de 2006 que a líder da instituição não paga a contribuição mensal. Ainda que, em Maio passado, tenha concorrido às eleições, vencendo e obtendo mais um mandato à frente dos destinos da ACP.
Contactada pelo JN, Laura Rodrigues preferiu não falar sobre o assunto. "Num momento em que a Associação está em situação de eventuais eleições não vou alimentar polémicas. Não seria correcto da minha parte. Estou numa gestão corrente, não me vou manifestar sobre o que quer que seja", referiu Laura Rodrigues.
A situação vem agravar o clima de insatisfação e de turbulência que tem marcado a instituição nos últimos tempos e cujo reflexo mais visível foi a demissão em bloco, na semana passada, de cinco dos sete elementos da Direcção da ACP, em ruptura com a gestão de Laura Rodrigues. Apenas o tesoureiro manteve-se ao lado da presidente, que, em declarações ao JN, após as demissões, garantiu que o seu objectivo era prosseguir e levar o mandato até ao fim (2008).
A decisão de convocar - ou não - novas eleições compete ao presidente da Assembleia Geral, que o JN, apesar das tentativas, não conseguiu contactar ontem.
O clima de tensão na Direcção da ACP já se arrastava há algum tempo. Na semana passada, a situação chegou ao limite e o atraso nas quotas vem avolumar as críticas à actuação da presidente. Até porque os estatutos prevêem sanções para quem não cumpra os pagamentos atempadamente. O artigo 11º, por exemplo, refere que "serão automaticamente suspensos os que tenham em débito mais de seis meses de quotas".