"Isto é um assalto, levanta as mãos senão mato-te!" O encapuzado foi muito claro. Abel Barros, de 82 anos, ainda tentou resistir, mas passou a ser, anteontem, mais uma vítima do gangue que esta semana tem espalhado o terror na Região Norte, com incidência no Vale do Sousa. A sua ourivesaria, no centro de Felgueiras, foi o alvo dos três assaltantes que, 45 minutos depois, atacaram uma farmácia em Celorico de Basto. O grupo já é suspeito de oito assaltos à mão armada em apenas quatro dias.
Eram 18 horas. Abel Barros estava sozinho a limpar um relógio, de costas para a entrada da ourivesaria, quando foi surpreendido por um dos assaltantes, munido de caçadeira. Ao ser ameaçado, o comerciante reagiu instintivamente e decidiu fazer frente ao indivíduo. "Dei um salto para a frente, empurrei-o e saí para a rua a berrar. Ele perseguiu-me e atirou-me duas vezes ao chão", contou ao JN o octogenário, que posteriormente foi assistido no Hospital de Guimarães aos ferimentos ligeiros resultantes do confronto.
Com o proprietário fora da loja, dois dos ladrões apoderaram-se de uma série de expositores contendo diversos artigos em ouro, como fios, pulseiras, anéis, medalhas e brincos. "Levaram o que havia de melhor", revelou Abel Barros. Durante a manhã de ontem, ainda não tinha sido determinado um valor exacto do prejuízo, mas já se estimava que o material roubado valesse "uns 100 mil euros".
Entretanto, alertados pelo pedido de socorro da vítima, vários populares saíram à rua (nas proximidades da Câmara Municipal) e os assaltantes efectuaram "três ou quatro" disparos para o ar, dissuadindo qualquer tipo de reacção. De seguida puseram-se em fuga num Audi A3 (roubado em Paredes), onde estava um cúmplice.
Quarenta e cinco minutos depois, o mesmo grupo terá voltado à carga, na Farmácia Fervença, situada no lugar da Mota, em Celorico de Basto.