"Realismo" de um lado, "irrealismo" do outro, foram os termos empregues, respectivamente, pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e ACP-Associação dos Comerciantes do Porto, para salientarem as "substanciais" diferenças de aumentos salariais do sector uns exigem aumentos, em média, de 11%, a Associação dos empresários está disposta a uniformizar carreiras e "e no máximo ir até aos 8.8%".
Ontem, à porta do ViaCatarina, no Porto, surgiram as denúncias "Na discussão do clausulado dos horários, folgas e férias, houve acordo. Quando começamos a discutir a matéria salarial, a Associação invocou a crise e arrastou as negociações. Há mais de três anos que os trabalhadores (cerca de 45 mil) não têm aumentos. A nossa proposta é realista. Tudo aumenta, menos os salários. Como é possível? ", perguntou Jorge Pinto, presidente do Sindicato do Comércio.
Como as partes dão mostras de intransigência, o Sindicato admite solicitar ao Ministério do Traballho a conciliação e marcou para o dia 1 de Fevereiro uma vigília à porta da Associação. No horizonte, e caso os patrões não sejam realistas, prevê-se um dia de greve.
António Brandão, da direcção da ACP e que acompanhou de perto as negociações, acusou a estrutura sindical de estar a apresentar uma proposta "irrealista". Ao JN, traçou um quadro negro do comércio "Eles insistem em aumentos incomportáveis para a maioria das empresas. Até o INE-Instituto Nacional de Estatística vem dizer que as vendas a retalho caíram cerca de 10%. No último trimestre as baixas rondam os 4 %. As empresas não podem pagar os salários propostos pelo Sindicato", diz.
Em tempo de "moblização e de luta", a estrutura sindical afirmou, ao JN, que as negociações duraram "três longos anos" e que ao fim de 12 reuniões no Ministério de Trabalho apenas foi possível acordar nas matérias não pecuniárias. Pelos vistos, as palavras realismo e irrealismo estão na rua. Manuel Vitorino