M ais de 21 mil pessoas morreram em 2006 devido a 395 catástrofes naturais, mais de metade das quais (226) foram inundações. Essa é a conclusão de um relatório do Centro de Investigação sobre a Epidemiologia dos Desastres (CRED) de Lovaina (Bélgica), que foi divulgado ontem, em Genebra, e que revela números "esmagadores" para a Europa.
Segundo o CRED, três quartos das 21.342 mortes causadas por catástrofes naturais ocorreram na Ásia, 15% na Europa, 7,5 % em África e 3% na América. Os acontecimentos mais mortíferos foram o terramoto que matou 5.778 pessoas na Indonésia em Maio, o tufão Durian nas Filipinas em Dezembro (1.400 mortos) e o deslizamento de terras que atingiu o mesmo país em Fevereiro (1.100 mortos). Seguem-se dois países europeus vítimas da vaga de calor do mês de Julho a Holanda com mil mortos e a Bélgica com 940. A Ucrânia aparece em oitavo lugar com 800 mortos, devido à vaga de frio de Janeiro de 2006.
"Os números para a Europa são esmagadores", considerou a directora do CRED, Debarati Guha-Sapir, numa conferência de Imprensa organizada pela Estratégia das Nações Unidas para a Prevenção de Catástrofes, criticando "É inaceitável que uma região tão desenvolvida se encontre no princípio da lista". Guha-Sapir destacou ainda que os números mostram que a maioria das mortes devido à tempestade de Dezembro de 2002 na Europa foi provocada por comportamentos de risco: "17 vítimas em 22 estavam a praticar 'jogging', a arranjar o telhado ou a passear as crianças no carro para ver a tempestade".
"Vivemos na Europa com um tal sentimento de segurança que não nos damos conta de que as catástrofes podem atingir-nos", alertou a directora do CRED.
A China foi o país mais afectado em 2006, com 35 catástrofes. Seguem-se os Estados-Unidos (26), a Indonésia e as Filipinas (20) e a Índia (17). Tendo em conta o número de vítimas (mortas ou afectadas), África surge como o continente mais atingido, com 34 mil vítimas no Malawi, 27 mil no Burundi e 12 mil no Quénia. Seguem-se as Filipinas, o Afeganistão e a China. Os especialistas lembram que o impacto das catástrofes naturais pode ser reduzido, como fez o Japão, onde fortes sismos causaram poucas vítimas desde o de Kobe em 1995.