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Subida nas rendas revolta moradores de bairros sociais

Publicado

Hugo Silva
 

António Alberto Fernandes deixou o Bairro de S. João de Deus, com a mulher e os três filhos, há quatro anos. A família mudou-se para o Viso, integrou-se e o filho mais velho até deixou para trás os problemas ligados à toxicodependência. Quando a vida parecia correr melhor, o desânimo chegou com uma carta da empresa municipal de Habitação da Câmara do Porto no prazo de um ano, a renda vai passar de 65 euros para os 247 euros. Ontem à tarde, à entrada do Gabinete Municipal do Inquilino, no Carvalhido, António não escondia a revolta. Tal como outros moradores, que também viram as rendas subir de forma considerável. A Câmara justifica as mudanças com a actualização dos rendimentos de todos os residentes de empreendimentos municipais (ver caixilho).

"Ganho pouco mais de 600 euros por mês. A minha mulher não trabalha e tenho dois filhos na escola. Como é que posso suportar esta renda? De 65 euros, vai subir, ainda este ano, para 174 e, a partir do ano que vem, vou passar a pagar 247 euros. E ainda têm a coragem de me dizer, na carta que enviaram, que se não puder pagar a renda, posso pedir transferência para uma casa mais barata", desabafa António Alberto Fernandes.

"Não dá para pagar isto. Não fomos nós que pedimos para sair do S. João de Deus. A casa onde eu morava até estava em condições. Mudaram-me e agora fazem estes aumentos?", questionou Clementina Domingues, que mora no Bairro do Viso há cerca de quatro anos. Pagava 147 euros, passará a pagar 221 euros.

Fátima Costa também deixou o S. João de Deus, mas foi para o Bairro do Falcão (Campanhã). O problema é idêntico ao dos ex-vizinhos paga 126 euros e, a partir do próximo ano, passará a desembolsar 226 euros. Por agora, tem uma subida intermédia até aos 186 euros. "Não estava à espera de uma coisa destas. O salário do meu marido é de 650 euros e ainda há luz e água para pagar. Vamos comer o quê?", perguntou Fátima Costa.

"Isto revolta! Fui operado e gasto 175 euros de medicamentos. Mas lá dentro dizem-me que isso não conta!", desesperava, com gestos nervosos, Manuel Baltar. Há nove anos no Bairro de Santa Luzia, viu a renda subir dos 88 para os 125 euros.

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