O Governo vai retirar a gestão da Empresa Metro do Porto aos autarcas da região. O JN apurou que o novo modelo de governação, que deve ser apresentado na próxima semana, prevê uma gestão profissionalizada e com controlo maioritário do Estado, em linha, aliás, com as recomendações do Tribunal de Contas (TC). Ontem, Rui Rio, presidente da Junta Metropolitana do Porto - que detém 60% da Metro do Porto -, reuniu com o presidente do TC, com quem colocou um "ponto final" na polémica que se seguiu ao relatório divulgado em Novembro, onde a gestão da Metro foi alvo de duras críticas.
"A reunião foi positiva e vamos iniciar uma nova etapa no relacionamento" entre as entidades envolvidas, disse Rio à saída do encontro. A possibilidade de o controlo da empresa passar para o Estado continua a merecer a rejeição do autarca, para quem a gestão de uma empresa deve ser feita por quem está no terreno e conhece melhor a realidade.
"O metro de Bordéus não é gerido a partir de Paris", ironizou, sublinhando, contudo, que "o mais importante é que as obras se façam". O início das mais importantes - linhas de Gondomar, Trofa e Boavista e extensão de Gaia (estação João de Deus/Corte Inglés até Laborim) com interface aos acessos rodoviários - poderá "começar até ao fim do ano", disse.
Entretanto, o Estado "recusou" votar, ontem, na assembleia geral da empresa, uma série de propostas que, segundo Rio, visavam incorporar na gestão "algumas recomendações técnicas" do TC. "Os representantes do Estado abortaram a assembleia geral", lamentou.
Fonte oficial do Ministério das Finanças explicou ao JN que a posição do Estado foi "procurar o maior consenso possível entre os accionistas para ser possível ultrapassar as críticas do TC". Fonte oficial do Ministério dos Transportes, por seu turno, disse que o Estado "partilha das recomendações do TC e vai propor aos accionistas medidas a adoptar para o desenvolvimento do projecto, quanto ao novo modelo de gestão e à segunda fase do projecto".