Uma mulher de 30 anos, de Guilhufe, Penafiel, inventou uma doença oncológica grave e conseguiu mobilizar, para ajudá-la financeiramente, a sociedade penafidelense e pessoas de outras terras. Rapou o cabelo, enganou o marido, a família, os amigos e até o seu médico. Aparentemente, estava em causa um jovem casal, gravemente doente, com quatro filhos para sustentar e sem possibilidades financeiras. Foi aberta uma conta bancária para donativos, a freguesia juntou-se em peso para ajudar e até o JN noticiou este drama, que se revelou, afinal, uma fraude.
A mulher teria dentro de meses uma nova casa, graças à dimensão da onda social. Sabe-se, agora, que falsificou documentos do IPO do Porto, fazendo-se passar por doente daquela unidade de saúde. Vai responder, dentro de dias, ao Ministério Público de Penafiel, acusada de fraude e de abuso de confiança.
A situação foi espoletada, no início de 2006, pela directora de turma da escola onde estuda um dos filhos, convencida que o pai não podia trabalhar por ter, também, graves problemas de saúde.
Para conseguir amealhar dinheiro, Carla Maria Marques deslocou-se ao Hospital do Santo António, no Porto, "à procura de uma solução qualquer", e dali foi ao IPO, na mesma cidade, onde encontrou, no caixote do lixo, um documento de uma outra doente. "O papel estava amarrotado, apanhei-o e pedi a um senhor que me fizesse uma fotocópia", contou, ontem, ao JN.
Em casa, ou numa "agência de Penafiel", terá forjado a documentação que entregou à assistente social da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, onde é apoiada. Carla cortou o cabelo para convencer as pessoas da doença e passou a ser "uma doente com cancro". A freguesia fez vários peditórios de porta em porta, ofereceu comida e brinquedos aos miúdos. Mais tarde, juntaram-se outras pessoas e outras instituições. Presume-se que Carla terá amealhado centenas de euros.