Mais "críticos, implacáveis e exigentes" os vereadores da Oposição consideraram ontem, depois da reunião do Executivo municipal lisboeta, que o presidente da Câmara está a "fugir para a frente", apresentando propostas "irrealistas e eleitoralistas". Dão como exemplo a proposta subscrita por Carmona Rodrigues, que apontava para a venda de 4000 fogos municipais devolutos a metade do preço de mercado, e de uma outra - que o edil promete apresentar em Março - que visa atribuir seguros de saúde a cada criança que nasça na capital.
O documento para venda ou arrendamento de casas devolutas, também subscrito pelo vice-presidente Fontão de Carvalho, acabou por ser aprovado por maioria, mas "limpo" de todos os pontos deliberativos. Foi apenas aprovada a criação de um grupo de trabalho que, num período de três meses, apresente uma proposta relativa ao património habitacional disperso orientada para a venda ou arrendamento.
Sobre a proposta, que "podia criar falsas expectativas às pessoas", Maria José Nogueira Pinto, do CDS-PP, assegurou que dos "4000 fogos, cerca de 80% se encontra em estado de ruína e 10% em muito mau estado". A autarca falou aos jornalistas depois dos vereadores do PS, PCP e BE.
O socialista Dias Baptista considerou que, "depois de atitude demagógica e desleal que assumiu na última Assembleia Municipal, Carmona Rodrigues decidiu "fugir para a frente". Porém, mantém que "o executivo liderado por Carmona Rodrigues não tem futuro para a cidade".
Muito criticado foi também o anúncio da intenção do presidente da Câmara de avançar com a atribuição de seguros de saúde às crianças lisboetas. Ruben de Carvalho, do PCP, considerou que Carmona optou por fazer aquilo de que acusa a Oposição, "ao falar primeiro para a comunicação social sobre uma proposta que pretende apresentar". "O facto é que o presidente percebeu que a Oposição iria mudar de atitude e resolveu avançar com este tipo de propostas", disse.