Sob fogo cerrado de toda a Oposição e representantes sindicais, a maioria socialista do executivo municipal de Azambuja aprovou, ontem, a concessão a privados da exploração e gestão dos serviços públicos de distribuição de água e drenagem de águas residuais, por um período de 30 anos. Com os votos contra da CDU e do PSD, a decisão permite o lançamento do concurso público internacional para a escolha da entidade empresarial que passará a gerir o sector, até agora administrado pela câmara de Azambuja.
Esta é a segunda aprovação do processo de concessão, desde Julho de 2006. Erros no primeiro estudo prévio, verificados pela vereação social-democrata, provocaram a rectificação do plano e o respectivo adiamento.
Segundo Joaquim Ramos, presidente da câmara, a necessidade de investimento no sector e a indisponibilidade financeira da autarquia justificam a cedência das infra-estruturas de saneamento. "Não se trata de uma privatização, nem da alienação do património. Só que não é possível gerir de forma eficiente este sector", justificou o autarca.
O vereador do PSD, António Matos, acusou a autarquia de elaborar um concurso onde não consta um valor exacto das infra-estruturas e qual a sua rentabilidade. "Não temos meios para fazer um estudo exaustivo, por isso remetemos isso para os potenciais concorrentes", justificou Joaquim Ramos. Caberá aos privados indicar um valor de um património que a própria câmara desconhece.
Entretanto, os 22 trabalhadores da área do saneamento recusam passar para a alçada de uma outra entidade. Ao JN, João Vieira, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), garantiu que já está a ser promovido um abaixo-assinado junto da população para inverter o processo de concessão. Nuno Miguel Ropio