Várias dezenas de trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), afectos aos sindicatos da Função Pública do Sul e Açores e do Norte, estiveram ontem concentradas à porta da instituição, no Largo Trindade Coelho. Objectivo exigir férias em igualdade dos funcionários em contrato individual com os de vínculo público, melhores condições laborais e o reinício das negociações do Acordo de Empresa.
"As negociações foram cortadas de forma unilateral por um motivo que consideramos antidemocrático. A Santa Casa diz que o fez porque divulgámos algumas actas das reuniões, mas foi apenas para informar os trabalhadores sobre o andamento das negociações", argumentou Luís Esteves, do Sindicato do Sul e Açores.
Segundo o sindicalista, o protesto serviu ainda para reivindicar a criação de um carreira para as Ajudantes Familiares (apoio domiciliário), "que estão há quase 20 anos com recibo verde". Na lista das exigências está também "a adopção de progressões de carreira justas" e melhores condições de trabalho. Luís Esteves aponta o caso do Centro de Dia da Pena, cujas instalações estão degradadas. "As paredes estão negras, as pessoas não têm espaço e falta equipamento", afirmou.
As reivindicações tomaram a forma de uma moção, que foi entregue pelos trabalhadores, ao início da tarde, a Francisco Lourenço, director dos recursos humanos da SCML.
O responsável da Misericórdia, questionado pelo JN, disse "estranhar" a posição destes sindicatos. "As negociações são para o primeiro Acordo de Empresa da SCML, que tem três mil trabalhadores, representados por 22 sindicatos. Com os outros sindicatos tem decorrido com normalidade ", frisou.