Mesmo sem o acordo da Câmara de Leiria, a Valorlis, empresa de valorização de resíduos sólidos, proprietária do aterro sanitário que serve seis concelhos da Alta Estremadura, vai avançar com a construção de novas células nos terrenos adquiridos para o efeito, próximo da actual estrutura. As obras deverão prolongar-se por seis meses, afirmou ontem, a presidente da empresa, Almerinda Antas, pelo que, até ao final do ano, uma nova célula estará preparada para receber os resíduos. Em paralelo, a actual, quase esgotada, será selada.
A candidatura feita a Bruxelas - que inclui o aterro, uma unidade de valorização orgânica e um projecto de compostagem caseira - já teve luz verde. A obra aguarda apenas a adjudicação, o que deverá ocorrer na próxima assembleia-geral de accionistas, em Março ou Abril.
Almerinda Antas não é alheia às polémicas que, nos últimos meses, rodearam a decisão de manter o aterro na Quinta do Banco, em Leiria, contrariando o acordo para-social, assinado há dez anos, que defendia a rotatividade entre municípios. Mas a responsável lembra que a ampliação da actual estrutura foi decidida por unanimidade e frisa que, "segundo a legislação, as obras estão isentas de licenciamento camarário".
Até ao final do ano, no âmbito da compostagem doméstica, serão distribuídos 6500 contentores, que transformarão os restos dos alimentos em matéria orgânica para espalhar nos quintais.
Entretanto, foi anunciado ontem que a recolha selectiva aumentou, em 2006, 15%, face ao ano anterior. Foram recolhidas 3754 toneladas de vidro, 3679 toneladas de papel/cartão, 657 toneladas de plástico, 117 de aço e 8 toneladas de alumínio.