Se tivesse sido necessária a intervenção de um helicóptero da Força Aérea para acudir às vítimas do acidente com o comboio no Tua, ocorrido segunda-feira, ao princípio da noite, em Carrazeda de Ansiães, este demoraria pelo menos cerca de hora e meia a chegar ao local. No acidente com uma automotora do Metro de Mirandela, que caiu de uma ravina de 60 metros e acabou no rio, morreu uma pessoa, duas ficaram feridas e outras duas estão ainda desaparecidas.
No dia trágico, o helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) ficou sem combustível devido a uma avaria na bomba de abastecimento do aeródromo de Vila Real, depois de resgatar os dois sobreviventes.
Para além disso, o helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), estacionado em Matosinhos, esteve no local, mas como "não tem o resgate como missão, mas sim a emergência médica", não pode resgatar qualquer vítima. Note-se que este aparelho não está preparado com os meios adequados para resgate, já que a sua função é a de transporte sanitário (de doentes)", conforme explicou, ao JN, uma fonte do INEM.
Assim, o meio aéreo mais próximo da zona do acidente seria um Alouette III, estacionado em Cortegaça, Ovar, a quase 150 quilómetros. Segundo uma fonte da Força Aérea contactada pelo JN, "este meio aéreo (uma aeronave ligeira ) utilizado para busca e salvamento em acidentes ou catástrofes, ou evacuações sanitárias, seria, de facto, o ideal para operar naquele local, por ser de pequenas dimensões e também por estar claramente mais próximo". "No entanto, não poderia ser utilizado àquela hora, uma vez que só pode voar durante o dia, ou seja entre o nascer e o pôr do Sol", acrescentou. Daí que a única hipótese seria "a Força Aérea enviar para o local um helicóptero a partir do Montijo, ou seja um EH 101 Merlin", referiu.
A Força Aérea Portuguesa tem, ao todo, 12 helicópteros EH 101 Merlin (que substituíram os velhinhos Puma), divididos entre a base aérea do Montijo, Porto Santo, na Madeira, e a base das Lages, nos Açores.