autópsia, ontem efectuada, aos corpos dos dois idosos, anteontem encontrados mortos no interior da sua casa, na Nazaré , conclui que não houve crime nem ingestão de qualquer substância proibida, apontando causas naturais para a morte de ambos, de acordo com fonte da Polícia Judiciária.
António Correia, 77 anos, era um homem difícil e de palavras agrestes. Era conhecido na Nazaré como o "Nad'é", por ter feito de tudo um pouco. Considerado pela vizinhança como "anti-social", recusava qualquer ajuda que lhe quisessem dar. A mulher, Belmira Januário, 82 anos, acatava as decisões do marido. Ambos estavam doentes, ele dos pulmões, ela sofria de diabetes.
O vizinho José Domingues não os via há cerca de duas semanas e estranhou que a luz da cozinha estivesse acesa "há dois dias". Mas foram dois técnicos, um da Segurança Social e outro da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, que deram o alerta. Segundo o presidente desta instituição, Abílio Santiago, a última vez que a técnica se deslocara à residência do casal - habitação de um único piso, com visíveis sinais de imundice - foi entre quarta e sexta-feira da semana passada.
Anteontem voltaram à casa, deparando com os dois cadáveres. De acordo com a PSP, a porta estava entreaberta, tudo indicando que "ambos estavam mortos há muitas horas". O cheiro era nauseabundo. António estava deitado na cama, enquanto Belmira jazia no chão, ao lado do marido. Na cozinha, encontrava-se, além de vários pacotes de arroz e massa, um envelope com 1100 euros em notas e dois vales de correio, relativos à pensão social que cada um recebia, no valor de 177 euros.
Face a este cenário - depois de chamada a PSP e contactada a PJ - concluiu-se não haver indícios de crime. O relatório preliminar do delegado de Saúde apontava causas desconhecidas.