Talvez por estar solidário com o encerramento de várias maternidades no país, o Carnaval de Torres Vedras encolheu, este ano, o orçamento e o número de carros alegóricos que irão desfilar pelas principais ruas da cidade. Felizmente para muitos, a folia não se traduz em números e o humor, garantem os organizadores, "baixou o nível", subindo de interesse aos olhos dos visitantes. Depois de ontem, os reis terem tomado conta do município, dando umas "férias" ao presidente da Câmara, hoje arrancam os cortejos, com o os idosos a entrarem em cena durante a tarde. À noite realiza-se o primeiro corso, ao qual se juntam os grupos de mascarados.
Quem não falha a festa é o primeiro-ministro, que tem direito a desfilar duas vezes. José Sócrates mascara-se de bombeiro para integrar o "Comando Desoperacional" e as ordens são confusas. É que, tanto o presidente da República, Cavaco Silva, como o ministro da Administração Interna, António Costa, dão indicações diferentes. Noutro carro alegórico, recua à infância e, como não há maternidades, tem de ser levado no bico da cegonha, juntamente com outros bebés.
Invariavelmente, a crítica aguçada visa também para os autarcas locais. Desta vez, o alvo é uma pista de gelo, que inspirou a construção de um outro carro, designado por "Era Glacial", onde presidente e vereadores mostram os seus dotes de equilíbrio. À dose de humor acrescenta-se uma pitada de sensualidade e ironia. Na "Clínica de Estética", elas fazem de tudo para ter as medidas mais atraentes, enquanto nos "Cinco Continentes", exibem-se cinco mulheres com mais de cinco metros de altura.
Aos carros, juntam-se os grupos, este ano sujeitos ao tema povos do mundo. Para entrar neste mundo de fantasia, os adultos pagam cinco euros. Helena Simão