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Governo congela novas obras do metro até 2009

Publicado

Ana Trocado Marques
 

Governo não aprovará novos investimentos na rede de metro do Porto até ao final da legislatura. Na reunião com os responsáveis da Junta Metropolitana do Porto (JMP) e com o presidente da Metro, realizada anteontem, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, fez saber que o Governo só ponderará o financiamento à ansiada segunda fase a partir de meados de 2009, ou seja, no início da próxima legislatura e quando expira o actual contrato de concessão da rede com a Normetro. Neste cenário, ficará "congelada" toda a segunda fase, incluindo as linhas que o próprio Governo já tinha considerado como prioritárias Gondomar, Boavista e a duplicação do troço Trofa-ISMAI.

As duas intenções do Governo - congelar novos financiamentos até 2009 e assumir posição maioritária no capital social e no Conselho de Administração da empresa - foram um "balde de água fria" para os autarcas da JMP (o presidente, Rui Rio, e os dois vice-presidentes, Guilherme Pinto e Castro Almeida) e para o presidente da Metro do Porto (Valentim Loureiro). Agora, a JMP deverá apresentar a Mário Lino a contraproposta dos autarcas, que temem que uma gestão maioritariamente governamental possa travar, ainda mais, o projecto.

Ontem, no final da reunião extraordinária da Junta, Castro Almeida recusou comentários ao conteúdo da reunião. "Ficou combinado com o senhor ministro que não faríamos declarações sobre a reunião e a JMP é escrupulosa no cumprimento desse acordo", afirmou, acrescentando, apenas, que ficou decidida, para breve, nova reunião com Mário Lino.

No entanto, o JN apurou que, na reunião, os autarcas ficaram a conhecer a intenção do Governo de congelar o financiamento a novas linhas, deixando a segunda fase da rede para uma próxima legislatura, e de alterar o modelo de gestão, tornando-se maioritário na empresa. A posição firme do Governo exigirá prudência dos autarcas, já que, embora sem o controlo maioritário, a Administração Central é responsável pelo financiamento da rede e restringiu mesmo o endividamento a longo prazo da empresa. Na prática, um braço-de-ferro entre as partes pode bloquear a Metro. Conforme o JN noticiou, além de adiar novos investimentos, o Governo pretende que o Conselho de Administração, actualmente constituído por sete elementos (quatro não-executivos, autarcas, e três executivos, nomeados pelo Governo) seja, no próximo mandato (a partir de Março de 2008), reduzido para cinco provavelmente, dois presidentes de Câmara e três técnicos. O Governo também assumiria, assim, posição maioritária no capital social - até agora 60% é detido pela JMP -, apostando numa gestão profissionalizada.

Os 14 autarcas da JMP, que se reúnem na próxima sexta-feira, deverão discutir a contraproposta a levar a Mário Lino e que passará, segundo apurámos, pela manutenção da gestão maioritária da JMP.

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