A suspensão de mandato ontem anunciada por Fontão de Carvalho deixa o presidente da Câmara de Lisboa privado do seu braço-direito. Ainda assim, Carmona Rodrigues não cedeu às pressões do PSD no sentido de se afastar mantém-se no cargo, assegurando que tem condições de governabilidade. A Oposição já não lhe reconhece legitimidade.
Depois de, na quarta-feira, ter manifestado intenção de continuar em funções, o vice-presidente da Autarquia não resistiu, ontem, ao facto de o PSD lhe ter retirado a confiança política. Suspendeu o mandato por três meses, tempo que estima suficiente para a abertura da instrução do processo em que é acusado de peculato, no âmbito da polémica atribuição de prémios de gestão a administradores da EPUL, quatro deles também acusados.
O facto de Fontão de Carvalho ter ocultado - inclusive aos restantes vereadores da maioria PSD na autarquia e ao próprio líder do partido, Marques Mendes - que, desde Novembro era arguido neste processo foi a gota de água para a decisão da direcção social-democrata. A quebra de lealdade que deixou pouca margem de manobra ao homem de confiança de Carmona.
Ontem à noite, em curta declaração nos Paços do Concelho, Fontão garantiu que a sua opção foi pessoal. "Hoje (ontem), depois de ponderar, tomei a decisão de suspender", disse. O autarca afirmou que não lhe foi feita "qualquer exigência" e sublinhou a condição de independente.
Ao seu lado, Carmona Rodrigues salientou tratar-se de uma decisão "meramente pessoal". E afastou o cenário de se demitir do cargo "Continuam garantidas as condições de governabilidade", disse, invocando a "confiança do partido". "Os lisboetas merecem este nosso sentido de responsabilidade", acrescentou.