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Ministra da Cultura admite que lei do mecenato não é ágil

Publicado

Cláudia Luís*
 

Aministra da Cultura defendeu ontem mexidas nas lei do mecenato. Isabel Pires de Lima entende que o actual quadro legal de apoio às artes, que data de 1986, pode ser simplificado e deve abranger com maior eficácia outro tipo de empresas e instituições. "Em Portugal, quem investem no mecenato são, sobretudo, organizações de grande dimensão no mercado. E essa é uma das dificuldades decorrentes da nossa lei. É um pouco complexa", reconheceu a ministra da Cultura, em declarações à agência Lusa.

Na altura em que o Estado apela aos empresários e à sociedade civil para apoiarem as artes e ajudarem a preservar património, têm sido anunciados vários projectos de mecenato. Mas pode e deve haver mais - entende Isabel Pires de Lima. "A lei tem condições bastante convidativas", mas poderá ser agilizada de forma a atrair outros que não apenas as grandes empresas, disse a ministra, alertando para as vantagens "O mecenato na cultura começa a ser olhado como uma actividade que distingue, um pouco como acontece com uma editora que edita poesia mesmo sabendo de antemão que não dá lucro - mas dá prestígio a essa editora", revelou.

Empresas têm retorno

No sector da banca e das grandes empresas estatais, há instituições envolvidas projectos culturais (ver ficha), como é o caso do BCP. "O nosso objectivo - disse uma fonte do banco - é contribuir para a defesa da cultura portuguesa, multiplicando os públicos e dinamizando os consumos culturais, para honrar os autores e assegurar a perenidade do quadro de valores sobre o qual assenta a ideia de Pátria" . Esta "plataforma de entendimento entre o banco e a sociedade também cria valor para a marca", admitiu o BCP.

Para a ministra da Cultura, "os mecenas são determinantes para o tipo de programação actual". No Museu de Arte Antiga, "não seria possível fazer uma exposição como a que se fez o ano passado [a colecção Rau, com obras de grandes mestres da pintura europeia]" sem o apoio mecenático, exemplificou a governante. "As questões relacionadas com a cultura, designadamente património e produção artística, dizem respeito a todos. Não cabe só ao Estado ter responsabilidades", concluiu.

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