"Não há autoridade. Esta Maioria não tem legitimidade para continuar a governar. A única saída será a realização de eleições intercalares a breve trecho". Palavras do vereador socialista Dias Baptista, ontem à tarde, após a reunião extraordinária do Executivo, onde a polémica sobre o "relatório explosivo" elaborado por uma comissão nomeada pelo vereador da Habitação, Sérgio Lipari, incendiou novamente os ânimos. "O caso Gebalis é exemplo de que o poder caiu na rua", sublinhou o autarca.
O dossiê, só ontem entregue aos vereadores da Oposição e que terá revelações sobre alegadas irregularidades na gestão daquela empresa - responsável por 70 bairros municipais e que foi tutelada, até 15 de Novembro, pela vereadora Maria José Nogueira Pinto - foi enviado por Sérgio Lipari para o Tribunal de Contas (TC) e Inspecção-Geral das Finanças (IGF), sem conhecimento do Executivo. A decisão caiu mal entre os vereadores da Oposição e junto do próprio Carmona.
Num despacho com data de anteontem, o presidente da Câmara lembra que é a ele que compete representar o município junto da IGAT e do TC. E determina que seja o Departamento de Auditoria Interna da autarquia a analisar o relatório e a promover a audiência dos administradores e outros responsáveis da Gebalis.
Carmona recorda que estão em causa "actos praticados desde 2001" e, num recado directo a Lipari, diz que deveria ter sido acautelada a "audiência prévia dos visados", um princípio "da mais elementar justiça, mas também de natureza constitucional e legal".
Em conferência de imprensa, o vereador da Cultura, Amaral Lopes - visto Carmona Rodrigues ter permanecido, mais uma vez, no silêncio dos gabinetes e longe das perguntas dos jornalistas - desdramatizou a questão e alegou que a decisão do presidente "vem complementar a de Sérgio Lipari", não o desautorizando. Porém, a Oposição pensa exactamente o contrário "O presidente da Câmara questionou a legalidade do despacho de Sérgio Lipari", disse a vereadora do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto.