Foram ontem realojadas oito das 14 famílias que ficaram desalojadas, no Bom Sucesso, em Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, após um aluimento de terras ocorrido, durante a madrugada de anteontem, que provocou a derrocada dos quintais e a instabilidade do edifício onde viviam. Apenas quatro famílias mais numerosas aguardam, em pensões, que a Câmara Municipal disponibilize hoje em Alverca, ou nas proximidades, casas que possam ser ocupadas. Dois idosos rumaram, temporariamente, a duas instituições de solidariedade social.
Erros técnicos na construção do centro cultural do Bom Sucesso, na encosta onde se localiza o edifício, terão desencadeado o abatimento das terras. Apenas uma velha oliveira, com uma forte raiz, impediu que parte do prédio com 40 anos se tenha desmoronado. Ontem de madrugada, com a chuva forte, as terras voltaram a abater, apesar da construtora ter cimentado toda a encosta e (inclusive) a árvore.
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira solicitou ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) uma avaliação urgente da estabilidade do edifício. Quanto ao custos com o realojamento das famílias - que ficarão em casas alugadas até haver uma solução definitiva - serão remetidos pelo município ao construtor.
"É preciso tratar das pessoas e a Câmara está a faze-lo. Depois, e de acordo com o caderno de encargos, isto são responsabilidades do empreiteiro, com quem acertaremos as contas. Não poderíamos ficar à espera, até porque o empreiteiro só apareceu hoje (ontem)", acusou a presidente de câmara, Maria da Luz Rosinha que, em meia hora, conseguiu realojar as oito famílias. Algo que os técnicos do departamento de Acção Social e responsáveis da Protecção Civil não fizeram durante 12 horas, obrigando os habitantes a uma longa espera na rua.
Entretanto, o vereador da CDU, Nuno Libório, exigiu à autarquia que suspenda de imediato a construção e verifique se a área envolvente corre algum risco de derrocada. "A Câmara dever formar já amanhã (hoje) uma comissão de investigação ao acidente, composta por peritos independentes, e verificar a acção da empresa de segurança contratada em todo este processo", disse, ao JN, o comunista.