O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) vai realizar uma auditoria técnica à obra de construção do viaduto que liga as freguesias do Forte da Casa à Povoa de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira, uma ligação rodoviária polémica, iniciada em 2002, e cuja saída desemboca num morro de terra, onde vivem milhares de pessoas. O pedido da acção de fiscalização foi formalizado, ontem, pela Câmara Municipal, após ter suspenso, há cerca de um mês, o avanço dos trabalhos por considerar que em causa estavam dúvidas sobre a qualidade da obra.
Os técnicos do LNEC analisarão se a obra respeita o projecto - que tem sofrido várias alterações, por se tratar de um viaduto que nunca teve qualquer saída - e as fundações da infra-estrutura, assentes sobre a ribeira da Carvalha. O viaduto surgiu como uma permuta, na autorização da autarquia concedida ao promotor José Maria Duarte Júnior, na urbanização das terceira e quarta fases do Forte da Casa (obras que também se encontram suspensas).
Há cinco anos, quando as autoridades entenderam que o viaduto não teria qualquer saída, colocou-se a hipótese de abrir uma barreira desde o tabuleiro da ponte até ao topo da colina. Tal arriscaria a estabilidade das urbanizações localizadas no cimo do monte. A solução passa, agora, por rodear toda a colina até chegar a uma saída, mas isso tem implicado o abate de uma vasta área inserida em Reserva Ecológica Nacional (REN).
Refira-se que, em 2002, o Instituto de Estradas de Portugal (IEP) havia embargado a obra, apontando graves falhas técnicas e o facto de o viaduto partir de uma urbanização em direcção a um morro de terra, perante a impossibilidade de realizar um túnel que atravessasse o obstáculo.
Ao JN, Fernando Neves de Carvalho, do movimento cívico Xiradania, adiantou que nos próximos dias uma queixa e uma providência cautelar serão entregues de forma a evitar a continuidade dos trabalhos. "Recebemos de bom grado a análise do LNEC, mas é mentira que a obra esteja suspensa, porque continuam as movimentações de terras", acusou o advogado. NMR