Seis veteranos do surf que, durante anos, percorreram a mais alta roda mundial da modalidade, participam, a partir de amanhã, no Red Bull Locals Only, uma prova de surf que decorrerá nas praias de Carcavelos, Ericeira e no Porto. Objectivo render homenagem a um dos fenómenos mais antigos desta modalidade - o localismo - e explicar que nas ondas também há regras tão apertadas como no trânsito, e que, quem joga em casa, goza quase sempre de vantagem.
As ondas da praia de Carcavelos, em Cascais, servem amanhã de pano de abertura ao desafio inédito, lançado pela Red Bull. O prémio para o melhor surfista, que será escolhido entre os seis concorrentes, será uma viagem para duas pessoas ao Havai, berço da modalidade e do fenómeno do localismo.
Para que os veteranos estejam em pé de igualdade, a organização escolheu surfistas de cada uma das três praias (pares), para que possam surfar em casa e em território "adversário". Marcos Anastácio e João Alexandre (Drapin) jogam em casa em Carcavelos. Amílcar Lourenço (Mika) e Ricardo Pires são os nativos da Ericeira. Frederico Flores (Freddy) e Henrique Moniz constituem a dupla portuense.
O fenómeno do localismo ainda se vive com algum fulgor em algumas praias do Mundo. As melhores ondas de cada praia pertencem, geralmente, aos surfistas da zona que ali treinam todos os dias. Quem chega de fora, tem que respeitar a hierarquia e as regras, dizem os praticantes.
Os apaixonados pela modalidade asseguram que "não há anarquia, mas regras como no trânsito". Se a onda vem pela esquerda, entra primeiro o surfista mais à esquerda e vice-versa. É a regra da prioridade na crista da onda que os leigos não vêem. Para quem está na areia e a leste da modalidade, observa apenas um bando de gente apertada em fatos de borracha, ao molho, a subir e a descer ondas.