A noite de anteontem foi de protesto para os feirantes dos Carvalhos. Cerca de 150 pessoas dirigiram-se à Assembleia Municipal de Gaia, mas o edifício foi pequeno para tantos vendedores. Apenas meia centena conseguiu um lugar na sala para reclamar a suspensão do aumento da taxa camarária, relativa à ocupação de espaços de venda na feira. Às vozes dos feirantes, juntaram-se as da CDU e do PS, mas o pedido foi rejeitado pelo vereador social-democrata, Guilherme Aguiar, admitindo, porém, a disponibilidade da Câmara para reavaliar as novas taxas.
"Não vamos suspender o que quer que seja. Percebo que pode ter um efeito mediático excelente. Estamos disponíveis para reavaliar e requacionar. Não é para suspender", sublinhou o autarca. Uma intenção repetida pelo vereador Mário Fontemanha, responsável pelo Pelouro das feiras e mercados, que está "aberto ao diálogo", embora entenda que os valores são equilibrados. No entanto, Guilherme Aguiar foi adiantando que os cálculos foram feitos por técnicos, destacando a importância da cobrança de taxas para "fazer face a despesas" do Município.
O inconformismo perante os aumentos, que vão desde os 60 a 150%, fez com que os vendedores resistissem nas três horas da sessão até ao momento em que o presidente da Assembleia Municipal de Gaia, Sílvio Cervan, lhes concedeu a palavra para darem conta do descontentamento.
"Como munícipe e feirante, consideramos exagerados, descabidos e despropositados aumentos destes que, em alguns casos, se cifram em 150%. A nossa associação [Associação de Feirantes do Distrito do Porto] lamenta não ter sido ouvida para dar a opinião sobre a subida das taxas", afirmou Armando Costa, propondo a suspensão dos aumentos, até que, "num curto espaço de tempo", a associação e a Câmara cheguem a um consenso. Os vendedores não rejeitam que haja uma subida da taxa municipal, desde que "não ultrapasse muito a inflação".
No exterior, uma boa parte dos feirantes suportou o frio e a longa espera até à saída dos colegas cerca das 1.30 horas da madrugada de ontem (outros regressaram a casa mais cedo). O novo regulamento de taxas foi aprovado, no final do ano passado, na Câmara e na Assembleia Municipal e prevê um crescimento do preço mensal de 1,30 euro por metro (é pago de acordo com o comprimento da frente do lugar de venda) para nove euros por metro, nas situações em que os vendedores utilizam espaços inferiores a cinco metros. Com lugares de seis a 12 metros, a tarifa mensal é de 12 euros por metro linear ocupado.