O pânico tomou conta de Maputo ontem à tarde (16 horas locais, menos duas em Portugal) , após sucessivas explosões num paiol militar, numa das saídas da cidade. O balanço provisório, fornecido ao JN pelo Ministério da Defesa, dava conta de pelos menos 15 mortos e 42 feridos, alguns em estado grave. A violência do incidente, que terá ficado a dever-se a um curto-circuito, foi tal que fez estremecer vários edifícios da capital moçambicana. O cônsul de Portugal, Eduardo Oliveira, já garantiu não haver portugueses entre as vítimas.
Fonte do Ministério da Defesa moçambicano disse que o paiol guardava material bélico pesado, designadamente obuses e morteiros. Parte desse material foi projectado para uma vasta área residencial em redor do quartel, sem que chegasse a deflagrar. Por isso, ao longo da noite, equipas da Engenharia Militar levaram a cabo um intensivo trabalho de busca e recolha, que hoje prossegue.
A contagem das vítimas foi condicionada pelo facto de o acesso à zona, onde existem diversos bairros de lata, ser difícil, e, ainda, porque foi necessário recorrer a vários hospitais. Nas zonas centrais da capital, a uma dezena de quilómetros do local das explosões, vidros de casas e estabelecimentos ficaram partidos e o caos tomou conta do trânsito.
"É um ruído ensudercedor. É uma nuvem que faz lembrar Hiroshima ou Nagasaki", relatou um ouvinte da Rádio Moçambique, citado pela agência Lusa. Face ao pânico generalizado, o presidente Armando Guebuza apelou à serenidade e à calma. Sentimentos que, no entanto, não eram vividos no Hospital Central de Maputo, onde as vítimas, incluindo crianças, afluíam em catadupa. Assis da Costa, médico daquele hospital, classificou a situação de "caótica", apelando à comparência de pessoal médico e de eventuais dadores de sangue, para apoiar a assistência aos feridos.
Ao início da noite, Cavaco Silva associou-se à dor dos moçambicanos e enviou uma mensagem de "pesar e solidariedade".