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Famílias romenas deixam terreno repleto de lixo

Publicado

Carla Sofia Luz, Fernando Oliveira
 

Partiram, mas deixaram quase tudo para trás. O terreno e o palacete em ruínas da antiga fábrica da Quimigal, próximo do bairro de Quebrantões (Gaia), estão novamente devolutos depois de terem servido de abrigo a dezenas de romenos. Nos últimos três meses, encontravam-se mais de 50 pessoas acampadas, que se abrigavam em barracas construídas a partir de pedaços de madeira e de cobertores oferecidos no mato e no imóvel degradado. A maioria vivia da mendicidade.

As visitas de técnicos da Câmara, em cooperação com o Governo Civil do Porto, de agentes da PSP e do Delegado de Saúde de Gaia, que alertou para o perigo iminente de ruína do palacete abandonado, fizeram com que as famílias deixassem a propriedade para satifação da vizinhança. Alguns populares de Quebrantões promoveram um abaixo-assinado e solicitaram, na semana passada, a intervenção do Município gaiense para pôr um ponto final no acampamento.

"As pessoas estavam chateadas com o mau cheiro e a desordem. À noite, faziam muito barulho e tinham o hábito de andar a bater às portas dos moradores a pedir água", conta um do habitantes do bairro de Quebrantões, sublinhando que as famílias não chegaram nem partiram ao mesmo tempo. O último grupo com muitas crianças e jovens acampou no terreno devoluto há cerca de dois meses. "Alguém lhes indicou este sítio, porque eles vieram directamente para aqui", suspeita o morador há 57 anos no bairro gaiense. E, aos poucos, também foram partindo nos últimos dias. "No domingo, alguns disseram que iam para Lisboa de comboio e levaram as coisas dentro de contentores do lixo até a General Torres. Os contentores ficaram na estação". No terreno, ficaram os escombros do antigo acampamento. A propriedade e o palacete ficaram repletos de lixo desde cobertores e colchões a pratos e tachos. A Câmara de Gaia já começou a limpar o espaço, mas, enquanto os destroços não são totalmente removidos, há sempre quem aproveite para levar alguma preciosidade esquecida para casa.

"Não expulsámos ninguém. Na segunda-feira, fizemos uma acção de fiscalização sanitária e grande parte das famílias já se tinham retirado. Ainda estavam cerca de 18 romenos e foram alertados de que teriam de sair, porque estavam abrigados num edifício em perigo iminente de derrocada", esclareceu Guilherme Aguiar, assinalando a falta de condições de salubridade em que viviam as famílias "Iniciámos a limpeza do terreno privado. Alguns objectos tiveram de ser queimados, pois estavam cheios de pulgas", concluiu.

 
 










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